Alguém do interior de São Paulo, lá pelas bandas de Descalvado, deve ter notado a falta de atualização do Blog. Mas de todo o resto ninguém mais deve ter notado. Por isso eu vou começar este post como se nada tivesse acontecido, tudo bem? Muito obrigada a todos os envolvidos.
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Passados alguns meses, exatos quatro meses, me ausentei e me desfiz de tudo o que era compromisso. Limpei completamente a agenda e preenchi todo os os horários com apenas um compromisso: cuidar de mim. Parece fácil e todas as madames de novelas, brasileiras ou mexicanas, falam que isso é mais simples do que se estressar com criança que chora dentro do avião. Mas quando você coloca esse plano em prática, ele não é tão simples assim. Ficar irritado com a criança é muito mais fácil, pra mim até flui naturalmente.
Resolvi não escutar mais ninguém, nem mesmo os médicos. Fechei a minha cabeça para qualquer ideia nova, para qualquer plano de corrida ou convite para banquetes em churrascaria. O único objetivo era, pelo menos uma vez na vida, me escutar e me conhecer. Era esquecer o que todo o resto das pessoas tentavam me dizer ao opinarem sobre minha situação – sim, inclusive o marido, a melhor amiga e a mãe. Me chamem de louca da estrela, fora da casinha, convencida, egoísta ou o que for. Mas ao longo deste post vocês irão entender cada pequeno detalhe.
O limite
Depois de três anos só engordando e não ganhando nada com isso. Nem ao menos um espaço no circo ou um palco para um stand up, cheguei no meu limite. É aquele momento onde ou você toma uma decisão ou vai procurar a ponte mais alta para se jogar ou o hospital psiquiátrico mais próximo da região.
O dia do meu limite aconteceu após uma consulta de rotina na nutricionista, onde a balança marcava exatos 92,5 kg. A nutricionista com toda boa intenção tentava ser mais contagiantedo que o discurso de Martin Luther King , ao me convencer que eu seria capaz de emagrecer 22 kg até o final do ano. Mas o momento do limite vem acompanhado de um desespero e ninguém seria capaz de me acalmar naquele momento.
Sai de lá chorando feito aquela criança do avião, e não havia peito cheio de leite que me fizesse parar de chorar. Entrei no carro e fechei a porta, porque ninguém era obrigado a escutar o meu choro. Liguei pra minha mãe, na tentativa de que ela pudesse me acalmar e me colocar nos eixos. #fail. Desliguei o celular e comecei a chorar. Naquele momento eu só pensava no fracasso que era estar pesando muito mais do que eu um dia pensei fosse possível. Eu literalmente sentia os 92,5 kg na minha cabeça e no meu coração. Isso me empurrava para a ponta do penhasco onde eu deveria decidir se dava um passo para trás ou se deixava tudo e me enfiava de cabeça naquele penhasco.
Olha, eu não vou mentir não. Se jogar do penhasco, naquela hora, parecia uma viagem pelas sete maravilhas do mundo com tudo pago. Afinal, era a decisão mais fácil e mais comum: ceder à autocomiseração. Mas naquele momento sombrio, nasceu uma eureka, uma explosão de descoberta. A descoberta que apesar do penhasco ser alto, ao cair eu poderia só me machucar e levar comigo pra sempre uma vida sem perna, ou sem consciência, e mais os 92,5kg ainda comigo. Ao invés de me livrar da dor de engordar, eu iria era somar mais uma dor.
A determinação
Escolhi dar um passo para trás e me livrar de todo o peso na consciência que faziam os quilos parecerem maiores do que realmente são. Mesmo dizendo que não ligamos para a opinião popular ou para a aceitação social, ela tem o mesmo peso de uma frase mal entendida do melhor amigo. E esses dois pontos impedem que enxerguemos o nosso foco, o nosso objetivo, a nossa idéia fixa.
Após dois anos ignorando um conselho de uma amiga (Tatazinho) por conta de dinheiro, consegui juntar uma grana e encarar uma nutricionista que oferece um pacote com todas as comidas, de todos os dias, de todas as horas e todos os finais de semana. Não é exagero. Mas para quem pensou ” Ah! Assim é fácil. Até o Leôncio do Pica-Pau fica na finura da Olívia Palito”, não é. Comida de hospital é luxo perto dela. Nenhuma gordura, mas também nenhum tempero, nenhum gosto e nenhuma cor nenhuma.
É uma dieta restritiva como qualquer outra. Dura e rígida com relação a quantidade e horários. Só que dessa vez eu não me permiti o luxo de chorar e reclamar de nenhum quesito. Evitei qualquer pensamento e indisposição que pudesse colocar a dieta em risco. Foi preciso uma overdose de determinação, ao ponto de deixar a minha mente no automático para dizer não para qualquer comida. Eram seringas e seringas de determinação direto em tudo o que era veia. Emagrecer só dependia de mim, e não havia um “só hoje, vai” que pudesse me desviar do foco.
Para a minha surpresa consegui até sair para restaurantes com amigos e não colocar nada na boca a não ser um suco natural de abacaxi. Consegui ir pra festinha dos aniversariantes da empresa, sem chegar perto de nenhum salgadinho, refrigerante ou brigadeiro. Mas só foi possível com a overdose diária de determinação, e mais outra de consciência de que emagrecer só depende de mim.
Hoje, 12kg a menos…
A estratégia da determinação acabou dando mais certo do que eu imaginava. Já se foram 12kg, uma média de quase 1kg por semana. E tenho que confessar que mesmo as pessoas me atinando para o vislumbre do resultado, eu estou completamente pé no chão com ele. Porque nós gordos sabemos que da mesma forma que perdemos 12kg, podemos recuperá-los fácil fácil. Sad, but true.
Embora com menos 12, ainda me vejo como uma gorda. Porque a minha mente ainda funciona como de uma gorda, que ama comer em restaurantes, adora um brigadeiro de colher e ainda escolhe roupas tamanho 44 e 46. Provavelmente eu serei sempre uma gorda, em uma vida de me policiar em todos os segundos para não me tornar uma gorda cada vez mais gorda. Não que isso seja ruim, mas isso significa a minha vida vai ser mais cheia de restrições do que liberdade gastronômica. Uma sina que nem sempre estamos afim de seguir. Mas por enquanto, nada de desistir. Ainda não.



Olá, me indicaram seu blog recentemente e menina, vc é incrível, escreve muitíssimo bem, meus sinceros parabéns. Quanto ao texto, a “gordura” esta muito mais na mente do que no corpo, interessante seria entrar em processo psicológico, justamente para manter essa determinação e se conhecer ainda mais. Agora vem o afeto da minha parte, saudades e espero que esteja bem. Beijão