“Quando encontramos o amor pela primeira vez, ninguém nos diz que ele pode não ser para sempre. E, principalmente, ninguém nos diz que talvez o nosso destino não seja amar alguém para sempre”, começa a escrever em seu diário o protagonista da história. Ele não é nada mais do que um doce, horroroso e delicado coração quebrado. Tudo o que você precisa saber sobre ele é que seu signo é de capricórnio e ele tem um dom, raro nos seres humanos: sabe reconhecer a verdade quando se depara com ela. Sem mais delongas, deixemos nosso protagonista continuar seu discurso no ritual diário de escrever, o único momento em que suas verdades não são tidas como loucuras psicóticas e conscientes.
“O desespero pelo primeiro beijo, a excitação da primeira transa, a primeira cama compartilhada, o sim no casamento. Tudo indica que nosso amor é eterno e que fomos feitos um para o outro. O tempo que passamos juntos parecem uma mordida na mais branca nuvem, que faz cócegas no céu da boca ao estalar pequenos raios, desatinando uma risada incontida. Nossas brigas são feito noticiários policiais de capa de jornal, que causam vertigem e tempestades que arrancam pedaços tão pequenos e profundos , que é impossível me recompor em questões de horas. Mesmo assim é o amor, em maior ou menor grau.
Quando a plena felicidade do amor chega e aquela certeza vem como um furacão em alto mar, é impossível não ter a convicção de que nascemos um para o outro. A maneira em que nos conciliamos também só acumula certezas na minha lista. Mas lá no fundo, bem no fundo eu sei que meu destino é outro.
Não suporto a ideia de me ver em uma outra cama sem aquele cheiro de sono que você exala toda noite. Não aguento pensar que um dia não seremos mais o que somos hoje, mas no fundo, bem no fundo, sei que estamos fadados ao fim.
Pode parecer o clichê mais insuportável do mundo, mas não é você, sou eu. Não são nossas brigas irracionais que me levam a, desesperadamente, te agredir com palavras e tapas. Muito menos são os gritos e o fato de sermos tão antagônicos nos nossos gostos. Não são essas coisas. Porque eu não me importo com elas. Porque no final a gente se vira bem, a gente se entende, a gente se encaixa e se molda.
É óbvio que isso é amor, o mais puro e simples. Desde o começo não queria te mudar, não queria que você fosse outra pessoa só para adequar as minhas vontades mais egoístas. E desde o começo nós sabíamos que nosso gênios tão distintos precisariam se moldar a marteladas constantes. E nem por isso deixamos de dizer sim na hora que quisemos. Mas no fundo, lá no fundo eu sei que partirei para outro lugar.
Às vezes a estrada fica difícil…eu não sei por que. Isso não quer dizer que eu deixe de te amar, muito pelo contrário, eu amo mais que a mim mesmo. Mas meu destino grita bem alto dentro de mim que, minha estrada é por outra rota e você, infelizmente, não está nela. Eu realmente sei para onde ela leva, milhas e milhas bem distante de você. Por mais paradoxal que possa parecer, no meu coração só estará você por um bom tempo. “
Nesse exato momento alguém bate na porta do quarto. Nosso protagonista se desespera porque esses momentos de loucura não passavam com um simples fechar do caderno. Havia todo um ritual para que esse ‘eu’ tão verdadeiro fosse embora. Era ela. Ele se desesperou.
- Oi, amor. O que você quer? Não estou podendo abrir a porta nesse momento.
Ela insistiu em bater na porta. Ele não teve outra saída. Abriu a porta…e ele sabia, naquele exato momento, que esse seria o fim. Mas antes disso ele escreveu aquilo que estava escrito na linha da vida na palma de sua mão.
“Você nunca vai entender o porque, então eu peço apenas que entenda o seguinte: Eu te amo como nunca amei ninguém, ou até a mim mesmo. Mas a tristeza de encarar as risadas sarcásticas, os choros debaixo da ponte, o prazer em fazer a tristeza, tem sido demais para mim. Infelizmente, meu doce, eu estou fadado à morte hoje. E infelizmente, nosso amor, nasceu para morrer, sem uma explicação concreta”.
Ele abriu a porta, e naquele exato momento uma vida se foi para uma dimensão desconhecida.
A dor do amor não é revelada. A felicidade e a excentricidade de sofrer o não correspondido é o que estampam o imaginário do ser humano. Mas hoje não. Hoje, foi dita a verdade sem sequer pensar no julgamento insano. Ele sorria enquanto o sorriso o perseguia. Mas a certeza nunca fugiu da sua mente. E a certeza do amor também não. Talvez seja por isso que, o amor nasceu para morrer.
Uma doce ilusão diária…








