Bom, é chegada a hora. De falar a respeito de um dos assuntos mais tabus na sociedade como um todo, e principalmente quando falamos de mulheres curvilíneas. Não deveria ser, de jeito nenhum. Mas acontece que ouvir uma gordinha falar sobre a sua vida sexual é de escandalizar qualquer pessoa, com aquela expressão de freira quando escuta Marcelinho lendo contos eróticos, sabe?!
Tem gente que acha que gordinha não tem vida sexual ativa , inclusive as próprias gordinhas. E esse é um problemão. Achar que gordinha não recebe cantada de pedreiro e muito menos uma rapidinha executiva na hora do almoço. Ser gorda não significa estar morta. Muito pelo contrário, o fogo ainda queima forte.
No entanto, não é todo mundo que consegue se assumir gorda e gostosa, e por isso eu sei que leva um tempo para achar aquela lingerie e pensar: “Hoje eu estou a cara do perigo”. Principalmente porque o maior inimigo da gorda é a baixo autoestima. Levou tempo para eu perde-la e substitui-la pela autoconfiança. Mas tudo se resume a uma coisa: ser e se sentir sexy.
Espelho, espelho meu
Porque estamos acostumadas com os espelhos dos olhos das outras pessoas, é difícil dizer qual a parte do nosso corpo mais odiamos. Mas como eu já falei antes aqui no blog, se não nos amarmos primeiro, não nos acharmos um pedaço de mal caminho antes, os outros não vão achar.
Quando eu ainda andava de acordo com o espelho dos outros, era um sufoco conseguir comprar lingerie.– Moça, por favor, um sutiã 48!
- A moça olha diretamente para os seus peitos e começa a analisar toda aquela circunferência.
- 48??? Amiga, a gente tem sutiã 48 aqui? – pergunta a atendente para a outra colega de trabalho.
- Como????
- É sutiã 48!
- HAHAHAHAHAHAHAHAHA. Acho que não. Nunca vi um aqui
- É. A gente não tem
A cena se repete várias vezes desde lojas de departamento até lojas que se dizem especialista em lingeries para “todos os tamanhos”.
Com a dificuldade de encontrar lingerie e calcinhas que sirvam apropriadamente, eu era obrigada a andar com sutiãs que deixavam o meu peito mais achatado que bolacha maizena. Sem falar no incômodo de vestir a peça e ela apertar em todos os cantos e deixar aquela marca após tirá-la. Não é nada confortável!

Isso é o que acontece quando você não compra o sutiã certo, a calcinha certa e o vestido certo! #fikdik
As calcinhas são piores ainda. Porque eu não sei o que acontece com essa geração de mulheres que calcinha cavada e fio dental são o trend do momento. Amizade, é o seguinte. Essas calcinhas não funcionam para mulheres curvilíneas. E não funcionam para qualquer mulher que tenha um pouquinho mais de bunda. Simplesmente porque elas apertam na lateral e fazem aquela famosa divisão de gordurinhas. E é muito desconfortável isso! E convenhamos, ninguém aqui precisa ser uma Olívia Palito para vislumbrar no modelito seminu.
Todo esse sufoco para poder falar que eu usava calcinha 44 e sutiã 40. Sei lá, para ver se as pessoas me deixassem em paz. As mulheres podem ser muito malvadas com apenas um comentário, ou uma olhada.
É difícil ver gordinhas andando com outras gordinhas, conversando sobre suas dificuldades de se assumirem curvilíneas e de encontrar roupas no modelo adequado. Sabe por quê? Bem, duas opções. A primeira é a negação. “Sou gorda e me nego a me envolver com outra gorda. Ela não tem nada a acrescentar para mim, e não vou conseguir ter uma inspiração de vida a seguir”. É claro que não são todas, mas eu estou falando que isso acontece com a maioria. É triste esse sentimento, mas isso acontece. Já aconteceu comigo de pensar: “Não posso ficar do tamanho de fulana. Não admito isso”. Me arrependo com todas as forças hoje, e nem preciso dizer por que. Bom, se preciso é porque hoje eu amo o meu corpo e consigo viver bem com ele.
A outra opção de porque gordinhas não andam com outras gordinhas, é que o ciclo da sociedade hoje colocou as garotas curvilíneas em uma função social muito profunda e difícil de ser desvinculada: a de patinho feio da turma. Toda “turminha” tem que ter uma pessoa que ceda o seu amor próprio em detrimento do amor próprio das outras coleguinhas, perfeitas nos padrões sociais. E a função social da gordinha é fazer as amigas lindas se sentirem ainda mais lindas, e a gordinha tem um “modelo” em que ela tenha como ideal e saiba que, se chegar nesse nível, ela será aceita socialmente. Triste neh?! Mas a mais pura realidade. Se você acha que eu estou sendo muito malvada, só tire um tempo para observar.
Eu estou falando tudo isso, porque o ciclo social e as escolhas de socialização que nós, curvilíneas, fazemos irá influenciar indiretamente em como nos portamos na hora do sexo. Se estamos nesse ciclo social, não conseguimos nos desligar e tirar um tempo para a boa transa. Aquela transa em que um tapa na sua bunda não representa um “meu Deus como essa bunda balança hein?!”. Que quando você estiver por cima do cara você não esteja murmurando as seguintes palavras “por favor, por favor, não olhe a minha barriga e as dobras que ela faz”. Que quando o clima está começando a pintar você não solte um “só faço de luz apagada”.
O sexo é um momento de prazer mútuo, e não é possível ter prazer se você quer controlar todas as partes do seu corpo e torcer para que ele não note sua gordura, sua celulite, sua estria e o balançar das suas coxas. Como é possível ter prazer com tanta coisa negativa na cabeça. Como é possível dar aquele êxtase se você não acha o seu corpo motivo o suficiente para um êxtase.
O pior é quando a gordinha acha que o boy tá mentindo quando fala: “Você tá muito gostosa. Que tal irmos para um outro lugar?”. Ela imediatamente acha que ele está falando isso só por conta dos peitos dela, que por conta da gordura e do tamanho, são grandes e que ao ver da gordinha deve ser a única coisa boa de toda a situação. Claro que os homens adoram os peitos fartos, mas esse não é o único motivo. Homens tem várias preferencias e gordinhas também é uma opção. Simplesmente porque homem não é tão exigente assim quando o assunto é corpo de mulher. E vamos ser sinceras?! O corpo da mulher, de qualquer tamanho, é lindo. Para mim, os peitos, o quadril e a bunda são simplesmente fascinantes. E daí que temos alguns furos neles, dá uma reboladinha no espelho e vê como sua bunda fica bonita quando faz as voltas. É sério!!!
O espelho só vai retratar aquilo que o espelho dos seus olhos acreditam. Olhando para dentro de você o que você consegue enxergar? Se são só coisas negativas, aí está. Você não vai enxergar nada mais do que coisas negativas. Se você e só você acreditar que as suas curvas são sexys, você vai conseguir enxergar isso. Temos que trabalhar isso em nós, todos os dias. E acredito que não só as curvilíneas, mas todos os tipos de mulheres. Todas nós, mulheres, temos a mania de nos colocarmos defeitos em todos os momentos, e com isso, somos muito inseguras com relação a nossa beleza. Mas temos que entender que a beleza, só depende de nós. Sermos ou não sermos bonitas, só depende do fator autoconfiança. Não seja tão dura com você mesma!
Se trabalharmos mais essa questão de autoestima, não vai mais precisar ter aquele pavor na hora do sexo. E vai se tornar mais fácil se achar sexy e sedutora. E não vai ser preciso escolher lingeries que escondem a barriga e apenas realcem o peito. Quem sabe até tentar uma calcinha fio dental com cinta liga?! Isso é completamente possível. Basta você acreditar que você tem o pacote completo para um êxtase.
Tire um tempo para se admirar
Não estou querendo formar leitoras narcisistas, de modo algum. Mas nunca é demais parar um tempo para se admirar na frente do espelho. Se possível, nuas. Quantas de vocês pararam na frente do espelho nuas para ressaltar suas partes boas? Quantas pararam para falar coisas diferentes de “preciso perder essa gordura, e essa, e essa e essa”? Pare no espelho e veja como o seu cabelo realça suas costas desnudas. E tente ver posições onde você se acha sexy e tente mostra-las na hora mais sexy. Porque só assim, se vendo e se encarando, você consegue vender o seu pacote para o seu parceiro.
Imagina que alguém vá numa loja com vontade loucas de comprar uma cama. E ai a pessoa chega querendo uma cama que ela consiga ter um sonho gostoso e relaxante. E ai, você como vendedora chega lá e fala: “Olha, tem essa cama aqui. Ela não gosta de ser apertada, porque quando você aperta, alguns furos aparecem e isso fica esteticamente feio. Ela também não pode ser exposta à luz porque tende a ficar mais contraída quando isso acontece. Ela tem várias lombadas aqui no meio, mas com o tempo elas vão e tem de ceder. Mas olha, é uma ótima cama. Uma cama muito simpática e tem muita coisa a oferecer”. Quem vai comprar? É assim que a maioria das gordinhas se apresentam. Não sou sexy, mas sou simpática e inteligente. Não gente, tá errado isso ai. Você é simpática, inteligente e muito gostosa!
Gaste um tempo do seu dia para se admirar no espelho. Eu cheguei a essa conclusão em um dia que tinha um espelho no teto e tive a dimensão de como o meu corpo era visto pelo meu parceiro. Deitada na cama e olhando para o espelho no teto eu reparei como eu me preocupava a toa. Estava tudo bem, mesmo com todos os furinhos e as proporções GGs. Meu corpo não tinha deixado nem um pouco de ser bonito e atraente. Se você se assumir gorda, com orgulho, e sexy, não será a sociedade e seus padrões que vão dizer o contrário. It’s sexual healing, girls!





















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