Confissões: As gordinhas e o sexo

"Vocês sabiam que aquela gordinha tem vida sexual ativa?!"

“Vocês sabiam que aquela gordinha tem vida sexual ativa?!”

Bom, é chegada a hora. De falar a respeito de um dos assuntos mais tabus na sociedade como um todo, e principalmente quando falamos de mulheres curvilíneas. Não deveria ser, de jeito nenhum. Mas acontece que ouvir uma gordinha falar sobre a sua vida sexual é de escandalizar qualquer pessoa, com aquela expressão de freira quando escuta Marcelinho lendo contos eróticos, sabe?!

Tem gente que acha que gordinha não tem vida sexual ativa , inclusive as próprias gordinhas. E esse é um problemão. Achar que gordinha não recebe cantada de pedreiro e muito menos uma rapidinha executiva na hora do almoço. Ser gorda não significa estar morta. Muito pelo contrário, o fogo ainda queima forte. ;)

No entanto, não é todo mundo que consegue se assumir gorda e gostosa, e por isso eu sei que leva um tempo para achar aquela lingerie e pensar: “Hoje eu estou a cara do perigo”. Principalmente porque o maior inimigo da gorda é a baixo autoestima. Levou tempo para eu perde-la e substitui-la pela autoconfiança. Mas tudo se resume a uma coisa: ser e se sentir sexy.

Espelho, espelho meu

Porque estamos acostumadas com os espelhos dos olhos das outras pessoas, é difícil dizer qual a parte do nosso corpo mais odiamos. Mas como eu já falei antes aqui no blog, se não nos amarmos primeiro, não nos acharmos um pedaço de mal caminho antes, os outros não vão achar.

Quando eu ainda andava de acordo com o espelho dos outros, era um sufoco conseguir comprar lingerie.– Moça, por favor, um sutiã 48!

Um beijo pro seu recalque, vendedora!

Um beijo pro seu recalque, vendedora!

- A moça olha diretamente para os seus peitos e começa a analisar toda aquela circunferência.

- 48??? Amiga, a gente tem sutiã 48 aqui? – pergunta a atendente para a outra colega de trabalho.

- Como????

- É sutiã 48!

- HAHAHAHAHAHAHAHAHA. Acho que não. Nunca vi um aqui

- É. A gente não tem

A cena se repete várias vezes desde lojas de departamento até lojas que se dizem especialista em lingeries para “todos os tamanhos”.

Com a dificuldade de encontrar lingerie e calcinhas que sirvam apropriadamente, eu era obrigada a andar com sutiãs que deixavam o meu peito mais achatado que bolacha maizena. Sem falar no incômodo de vestir a peça e ela apertar em todos os cantos e deixar aquela marca após tirá-la. Não é nada confortável!

Isso é o que acontece quando você não compra o sutiã certo, a calcinha certa e o vestido certo! #fikdik

Isso é o que acontece quando você não compra o sutiã certo, a calcinha certa e o vestido certo! #fikdik

As calcinhas são piores ainda. Porque eu não sei o que acontece com essa geração de mulheres que calcinha cavada e fio dental são o trend do momento. Amizade, é o seguinte. Essas calcinhas não funcionam para mulheres curvilíneas. E não funcionam para qualquer mulher que tenha um pouquinho mais de bunda. Simplesmente porque elas apertam na lateral e fazem aquela famosa divisão de gordurinhas. E é muito desconfortável isso! E convenhamos, ninguém aqui precisa ser uma Olívia Palito para vislumbrar no modelito seminu.

Todo esse sufoco para poder falar que eu usava calcinha 44 e sutiã 40. Sei lá, para ver se as pessoas me deixassem em paz. As mulheres podem ser muito malvadas com apenas um comentário, ou uma olhada.

É difícil ver gordinhas andando com outras gordinhas, conversando sobre suas dificuldades de se assumirem curvilíneas e de encontrar roupas no modelo adequado. Sabe por quê? Bem, duas opções. A primeira é a negação. “Sou gorda e me nego a me envolver com outra gorda. Ela não tem nada a acrescentar para mim, e não vou conseguir  ter uma inspiração de vida a seguir”. É claro que não são todas, mas eu estou falando que isso acontece com a maioria. É triste esse sentimento, mas isso acontece. Já aconteceu comigo de pensar: “Não posso ficar do tamanho de fulana. Não admito isso”. Me arrependo com todas as forças hoje, e nem preciso dizer por que. Bom, se preciso é porque hoje eu amo o meu corpo e consigo viver bem com ele.

tumblr_mk8gor4NDA1s9ncwvo1_500A outra opção de porque gordinhas não andam com outras gordinhas, é que o ciclo da sociedade hoje colocou as garotas curvilíneas em uma função social muito profunda e difícil de ser desvinculada: a de patinho feio da turma. Toda “turminha” tem que ter uma pessoa que ceda o seu amor próprio em detrimento do amor próprio das outras coleguinhas, perfeitas nos padrões sociais. E a função social da gordinha é fazer as amigas lindas se sentirem ainda mais lindas, e a gordinha tem um “modelo” em que ela tenha como ideal e saiba que, se chegar nesse nível, ela será aceita socialmente. Triste neh?! Mas a mais pura realidade. Se você acha que eu estou sendo muito malvada, só tire um tempo para observar.

Eu estou falando tudo isso, porque o ciclo social e as escolhas de socialização que nós, curvilíneas, fazemos irá influenciar indiretamente em como nos portamos na hora do sexo. Se estamos nesse ciclo social, não conseguimos nos desligar e tirar um tempo para a boa transa. Aquela transa em que um tapa na sua bunda não representa um “meu Deus como essa bunda balança hein?!”. Que quando você estiver por cima do cara você não esteja murmurando as seguintes palavras “por favor, por favor, não olhe a minha barriga e as dobras que ela faz”. Que quando o clima está começando a pintar você não solte um “só faço de luz apagada”.

O sexo é um momento de prazer mútuo, e  não é possível ter prazer se você quer controlar todas as partes do seu corpo e torcer para que ele não note sua gordura, sua celulite, sua estria e o balançar das suas coxas. Como é possível ter prazer com tanta coisa negativa na cabeça. Como é possível dar aquele êxtase se você não acha o seu corpo motivo o suficiente para um êxtase.

All you need is love

All you need is love

O pior é quando a gordinha acha que o boy tá mentindo quando fala: “Você tá muito gostosa. Que tal irmos para um outro lugar?”. Ela imediatamente acha que ele está falando isso só por conta dos peitos dela, que por conta da gordura e do tamanho, são grandes e que ao ver da gordinha deve ser a única coisa boa de toda a situação. Claro que os homens adoram os peitos fartos, mas esse não é o único motivo. Homens tem várias preferencias e gordinhas também é uma opção. Simplesmente porque homem não é tão exigente assim quando o assunto é corpo de mulher. E vamos ser sinceras?! O corpo da mulher, de qualquer tamanho, é lindo. Para mim, os peitos, o quadril e a bunda são simplesmente fascinantes. E daí que temos alguns furos neles, dá uma reboladinha no espelho e vê como sua bunda fica bonita quando faz as voltas. É sério!!!

Eu, encarando todos os espelhos!

Eu, encarando todos os espelhos!

O espelho só vai retratar aquilo que o espelho dos seus olhos acreditam. Olhando para dentro de você o que você consegue enxergar? Se são só coisas negativas, aí está. Você não vai enxergar nada mais do que coisas negativas. Se você e só você acreditar que as suas curvas são sexys, você vai conseguir enxergar isso. Temos que trabalhar isso em nós, todos os dias. E acredito que não só as curvilíneas, mas todos os tipos de mulheres. Todas nós, mulheres, temos a mania de nos colocarmos defeitos em todos os momentos, e com isso, somos muito inseguras com relação a nossa beleza. Mas temos que entender que a beleza, só depende de nós. Sermos ou não sermos bonitas, só depende do fator autoconfiança. Não seja tão dura com você mesma!

Se trabalharmos mais essa questão de autoestima, não vai mais precisar ter aquele pavor na hora do sexo. E vai se tornar mais fácil se achar sexy e sedutora. E não vai ser preciso escolher lingeries que escondem a barriga e apenas realcem o peito. Quem sabe até tentar uma calcinha fio dental com cinta liga?! Isso é completamente possível. Basta você acreditar que você tem o pacote completo para um êxtase.

Tire um tempo para se admirar

Apenas deixe o seu sexy ser natural.

Apenas deixe o seu sexy ser natural.

Não estou querendo formar leitoras narcisistas, de modo algum. Mas nunca é demais parar um tempo para se admirar na frente do espelho. Se possível, nuas. Quantas de vocês pararam na frente do espelho nuas para ressaltar suas partes boas? Quantas pararam para falar coisas diferentes de “preciso perder essa gordura, e essa,  e essa e essa”? Pare no espelho e veja como o seu cabelo realça suas costas desnudas. E tente ver posições onde você se acha sexy e tente mostra-las na hora mais sexy. Porque só assim, se vendo e se encarando, você consegue vender o seu pacote para o seu parceiro.

Imagina que alguém vá numa loja com vontade loucas de comprar uma cama. E ai a pessoa chega querendo uma cama que ela consiga ter um sonho gostoso e relaxante. E ai, você como vendedora chega lá e fala: “Olha, tem essa cama aqui. Ela não gosta de ser apertada, porque quando você aperta, alguns furos aparecem e isso fica esteticamente feio. Ela também não pode ser exposta à luz porque tende a ficar mais contraída quando isso acontece. Ela tem várias lombadas aqui no meio, mas com o tempo elas vão e tem de ceder. Mas olha, é uma ótima cama. Uma cama muito simpática e tem muita coisa a oferecer”. Quem vai comprar?  É assim que a maioria das gordinhas se apresentam. Não sou sexy, mas sou simpática e inteligente. Não gente, tá errado isso ai. Você é simpática, inteligente e muito gostosa!

Gaste um tempo do seu dia para se admirar no espelho. Eu cheguei a essa conclusão em um dia que tinha um espelho no teto e tive a dimensão de como o meu corpo era visto pelo meu parceiro.  Deitada na cama e olhando para o espelho no teto eu reparei como eu me preocupava a toa. Estava tudo bem, mesmo com todos os furinhos e as proporções GGs. Meu corpo não tinha deixado nem um pouco de ser bonito e atraente. Se você se assumir gorda, com orgulho, e sexy, não será a sociedade e seus padrões que vão dizer o contrário. It’s sexual healing, girls!

DIVAS

DIVAS

Um suspiro

Apresento a vocês DD.

 

Eu só quero viver a vida. Só isso
Só quero poder o ver o sol nascer, sem ser obrigada.
Quero sorrir aqueles sorrisos sinceros
Não quero mais sorrisos amarelos
Conforme o tempo passa,
fica mais difícil manter-se íntegro à sua essência
E tudo isso por conta da maldita conveniência
Ela vira um método de sobrevivência
Um ritual que precisa ser seguido
Desobedece-lo é um risco

Eu só quero viver a vida. Só isso.
Só tomar um café e ler um livro às três da tarde
Quero saborear todas as notas do café
E ter a fé de que os dias serão divertidos
Cada dia que passa, a diversão está fora de questão
Agora quem dita as regras é a profissão
O que você decidiu ser em quatro anos de graduação
Hoje é o motivo de você não ter mais diversão
O motivo de vivermos uma vida pautada pela programação de final de semana
O tempo passa, a vida é curta e tudo o que eu quero é um pouco de sorrisos sinceros e diversão.

Eu só quero viver a vida. Só isso.
Eu só quero tempo. Tempo para viver a vida.
Não é pedir demais é? Tempo?
Quero aquele tempo que não é medido pelo relógio
E eu quero logo
Se continuarmos a viver para cumprir o tempo
Nunca haverá tempo o suficiente para aproveitar o próprio tempo
Apenas observar o tempo passar
Deixando que tudo vá
A cada tic tac para lugares que o tempo do relógio não te deixa ir
Longe, muito longe daqui
Ou apenas aqui
Mas com todo o tempo para aproveitar tudo sem ter medo demorar.

Eu só quero viver a vida. Só isso.
Só quero poder ser eu mesmo
Na plenitude de todos os meus defeitos e adjetivos
E com isso, não ter medo de contar meus objetivos
Não tem medo de ser ferido
Ou simplesmente atingido pelos julgamentos alheios a mim
Quero pagar o preço de ser quem sou
Quero ser pago na mesma moeda
Só para ver se os que me cercam poderão retribuir o que doei
Sejam coisas ruins ou boas
Assim, acredito que conseguiria
Um pouco mais de amor, sinceridade, sorrisos e tempo
Eu só quero viver a vida. Só isso.
E para isso se tornar real
Eu tenho tudo o que é preciso
Coragem
Por isso eu tenho a vantagem
Apenas saia do meu pé
Aqueles que só têm chulé
E um olhar de soslaio para colaborar
Agora não preciso mais da aprovação
Apenas de uma boa ação
Seja capaz de amar, que você esquecerá o quanto você é má
Amor, sorrisos, diversão e sinceridade
Se não é capaz, cale-se
Não me venha com desculpas e falsidades
Isso é tudo vaidade
Ame e será capaz de ser feliz você também

Eu só quero viver a vida. Só isso.

Désirrée von Dark

Declarações de uma Gorda

12/03/2011 Casamento Ana Paula e Lucas

12/03/2011 Casamento Ana Paula e Lucas

Uma fração de π

Ninguém disse que seria fácil
Mas também ninguém disse o quanto seria maravilhoso
Seja como for,
ninguém tem nada a ver com isso.
Só você e eu
Em um paraíso,
em um quarto,
em um bar,
em uma calçada,
em uma esquina do coração,
em uma certeza da imensidão do amor
que construímos a cada π
Só você e eu
em cada fração de π
em cada riso inconveniente
e sem motivos de sorrir
porque sorrimos, mesmo quando não há motivos
Aliás, este é o motivo.
Você e eu.
Em um grande e  cíclico nós.

π

Eu te amo! Que sejam dois anos de muitos outros mais que teremos pela frente.

Um pedido de perdão

Quando comecei a série “Confissões de uma Gorda” não sabia que ele teria um peso psicológico muito grande em mim. Quando idealizei, queria que fosse um espaço onde poderia retratar, sem pudores, a dificuldade de uma mulher gorda para deixar de ser gorda. Mas entre um post e outro – mesmo sendo tão poucos – começou a nascer uma ideia fixa, que fiz questão de ignorá-la por um bom tempo. Enfim, só tive coragem de assumi-la por esses tempos.

Momento flash back

Virada do ano.

 - Ana, já fez suas resoluções para o ano novo?

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A vontade mesmo era de escrever:

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Eu começava 2013 da mesma forma que 2012 terminou. Com todas as energias gastas e sem NENHUMA vontade de pensar em resoluções que depois de três meses se tornariam vagas e sem sentido. Na verdade não era só falta de vontade, era falta de coragem de assumir de que uma ideia fixa tomava conta de 80% dos meus pensamentos, e trazê-la para a realidade iria custar desacreditar em tudo o que eu havia confessado até aqui. Mudaria a minha ideologia de vida.

Ano virou. Os fogos de artifícios brilharam no céu. Os abraços dos amigos, da família, o flash back de tudo o que tinha conquistado na vida. E dentro do coração uma dualidade de sentimentos, todos a meu respeito, e nenhum era positivo.

 - Deixa pra lá. Dá nada.

O guarda-roupa estava uma zona. Eventualmente teria que arrumá-lo. E porque não naquele dia? Pós virada de ano. Meu coração já tá uma bagunça mesmo. É menos uma coisa para arrumar. Corri a porta do guarda-roupa e fui tirando roupa por roupa do cabide, ao som de The Ting Tings. Depois das gavetas. E finalmente, chegou a parte de dobrá-las.

Como todo armário de uma mulher recém casada e que divide o espaço com o marido, meu limite de quantidade de roupas já havia superado, e estava prejudicando o bom desempenho do guarda roupa na função de guardar, dentro dele, roupas. “Tenho que fazer uma limpa e passar algumas roupas pra frente”. Foi inevitável, é claro.

Ao começar a seleção, notei que um padrão havia se estabelecido. As dez peças de roupas que estavam no chão para doar, eram de quando eu tinha 16, 17 anos. Roupas lindas, que não saíram de moda e que eu nunca tinha cogitado passar adiante. Sempre que pensava em doar essas roupas vinha logo na minha cabeça: “Não. Um dia ela ainda vai me voltar a servir”. Isso é insano não é?! Manter roupas da época em que você nem tinha peitos direito, com a utopia de que um dia você voltaria a  usá-la e arrasaria na passarela. E não era só isso, fui vendo o tanto de blusinha baby look com estampas “descoladas” eu ainda mantinha nas minhas gavetas. Tudo com o mesmo objetivo: um dia eu volto a usar.

 Gente, NÃO! Tá errado isso aí oh! Muito errado. Como eu simplesmente ignorei isso, na boa?! 

Foi então que aquela ideia fixa, que eu vinha evitando há meses, tornou-se irrefutável. Não dava mais para afastar aquele bichinho que ficava no ombro, sussurrando todo dia essa mesma mirabolante eureca, bem ao pé do meu ouvido. Era hora de pegá-lo pela gola e olhar fixo e dizer:

- A gente precisa conversar.

A ideia fixa

Enquanto o montante de roupa ia só crescendo e crescendo, fui conversando com esse bichinho. Uma conversa séria, de convencimento, de reconhecimento e, principalmente, de aceitação. Não sei porque, mas as coisas costumam ter mais efeito em mim quando são relacionadas a uma imagem. E a imagem daquele monte de roupa, acabou sendo mais impactante do que todas as estratégias de convencimento do meu psicólogo. (Acredito que seja ele – o psicólogo – quem tenha plantado esse bichinho no meu ombro :P ).

Apesar de todos os posts que fiz dizendo que nós, gordas, precisamos ser entendidas, compreendidas, aceitas, apreciadas e respeitadas, eu mesma não tinha coragem sequer de me enxergar linda e confiante pesando acima dos 80kg. E a ideia fixa consistia em exatamente isso:

“Cansei dessa porra de emagrecer para mostrar para as pessoas  que eu mereço ser respeitada, que eu mereço o crédito de ser considera linda e sexy. Cansei de entrar em métodos de emagrecimento cada vez mais duros para mostrar aos que me cercam que, com uma dose cavalar de determinação , eu serei capaz de merecer o olhar de respeito e não de pena. Que se foda essa merda! Nenhum dinheiro gasto com isso é capaz de fazer com que eu esteja bem comigo mesma, só pelo simples fato de me aceitar. Não importa o que acham de mim, contando que eu saiba, e somente eu, que meu corpo é lindo, mesmo sendo completamente o oposto do padrão de beleza imposto pela sociedade, pela família, por certos grupos de colegas, pelo ambiente de trabalho. Eu sou assim,  curvilínea. E quem ousar me destratar e me desconsiderar por isso, é porque não tem nem a metade da coragem que eu tenho de me assumir”

Ok, colocando num desabafo desses parece fácil, mas pensa bem, assumir que você não precisa ficar fazendo dieta se sua saúde está bem, que você não precisa sofrer pra tentar mostrar um lado belo seu e viver 100% bem com isso, não é tão fácil quanto parece. Para isso é preciso terminar um relacionamento muito sério com a baixa autoestima, não terá mais espaço para ela. E essa coisa (a baixo auto-estima) praticamente nasce junto da maioria dos gordos. É preciso tirar o pensamento “tchau GG” e abraçar o GG com amor, carinho e acolhimento. Aceitar não apenas que seu corpo é o oposto do que é visto como natural e belo, mas também educar aqueles que te cercam de que ser gorda é uma realidade não uma opção. É preciso se olhar todo o dia no espelho e amar todas as suas partes, e minimizar o sentimento negativo que você tem por aquelas parte que menos te agradam. Afinal, toda mulher tem isso. E principalmente, é preciso fazer ouvido de mercador para todos aqueles comentários que você escuta todos os dias sobre dietas, malhação, tamanho de roupa, estilo de roupa, números na balança, etc. Se  você der atenção, vai cair nessa nóia toda denovo, em loop.

Um grande NÃO

No desenrolar de todo essa retrospecção e convencimento, o montante de roupa já estavam acumuladas em três sacos grandes. É…foram algumas horas organizando tudo. As gavetas dos armários agora não estavam mais caindo quando puxadas. Todos os vestidos e casacos couberam em cabides, sem que o varal do guarda-roupas ficasse encurvado. E na cabeça, um alívio: agora eu começaria um processo que iria permitir me vestir sem chorar, sem olhar para trás e ver que um dia eu fui dos padrões, e com a liberdade plena de me olhar no espelho e me admirar.

As roupas foram todas para a minha mãe e irmã. Entregá-las também foi um processo difícil, e minha mãe ainda disse:

- Tem que ter calma minha filha. Isso vai melhorar e você vai voltar a vestir isso.

285708_533347783366440_116198451_nNão! Eu não vou. E Deus me livre que eu volte a vesti-las, porque agora não é mais questão de me encaixar no padrão, é questão de fazer o meu padrão. É questão de não acreditar em tudo o que dizem, principalmente que gorda são preguiçosas. É questão mostrar e fazer entender que não tem nada de errado em ser uma mulher curvilínea e, mais do que isso, que eu, nós, adoramos ser assim. Não troco minhas pernas grossas por nada, muito menos meu quadril largo. E isso tudo, simplesmente porque me aceito. Em cada detalhe meu. Cada um deles, principalmente as dobrinhas laterais. ;)

O que eu fui, não tem como voltar a ser, porque sou uma pessoa completamente diferente hoje. Em estilo, em conceitos e amadurecimento. E é isso que me faz, e nos faz, sermos quem somos. Não somos nem mais, nem menos com isso. Temos nosso brilho, como todas as outras pessoas magras, altas, baixas, morenas, loiras e ruivas têem.

Perdão

Confessado tudo isso, só tenho a pedir perdão à vocês que acompanharam todos os desabafos até agora. Perdão por orgulhosamente ter dito que agora estava arrasando muito mais com 12kg a menos. Perdão por falar que podemos perder muito peso, com determinação. Perdão por ser uma hipócrita ao dizer que somos lindas desse jeito, sendo que na prática eu não fazia isso de forma alguma. Me perdoem!

O que eu posso garantir é que a partir de agora, vocês não irão encontrar aqui, qualquer discurso semelhante a esse. Porque a partir de agora, eu serei a ativista número um do movimento “Sou GG. E daí?”.  Vou continuar postando o Confissões de Uma Gorda, retratando o quanto é difícil uma vida de GG, o quanto sofremos preconceitos com isso, mas farei no sentido de reforçar o discurso que merecemos respeito e que queremos a liberdade de sermos quem somos. Continuarei a escrever sobre nosso cotidiano, mas agora mostrarei todo o lado positivo dele. Quero trazer texto que nos ajudem a elevar nossa autoestima e não perder a confiança e o respeito por nós mesmos.

Não quero, de maneira alguma, desprezar o trabalho realizado até agora. Mas sim, quero modifica-lo e apresentar uma versão mais otimista a respeito desse mundo que, querendo ou não, ainda é novo pra mim. Vamos, juntos, descobrir uma nova maneira de lidar com tudo isso. Comentem, divulguem, critiquem e até me xinguem. A vida é muito curta para manter sentimentos avessos guardados no coração. ;) Aliás, a vida é muito curta para não sermos honestos com todos os nossos sentimentos.

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Confissões: Para sempre gorda

Alguém do interior de São Paulo, lá pelas bandas de Descalvado, deve ter notado a falta de atualização do Blog. Mas de todo o resto ninguém mais deve ter notado. Por isso eu vou começar este post como se nada tivesse acontecido, tudo bem? Muito obrigada a todos os envolvidos. 

Passados alguns meses, exatos quatro meses, me ausentei e me desfiz de tudo o que era compromisso. Limpei completamente a agenda e preenchi todo os os horários com apenas um compromisso: cuidar de mim. Parece fácil e todas as madames de novelas, brasileiras ou mexicanas, falam que isso é mais simples do que se estressar com criança que chora dentro do avião. Mas quando você coloca esse plano em prática, ele não é tão simples assim. Ficar irritado com a criança é muito mais fácil, pra mim até flui naturalmente.

Resolvi não escutar mais ninguém, nem mesmo os médicos. Fechei a minha cabeça para qualquer ideia nova, para qualquer plano de corrida ou convite para banquetes em churrascaria. O único objetivo era, pelo menos uma vez na vida, me escutar e me conhecer. Era esquecer o que todo o resto das pessoas tentavam me dizer ao opinarem sobre minha situação – sim, inclusive o marido, a melhor amiga e a mãe. Me chamem de louca da estrela, fora da casinha, convencida, egoísta ou o que for. Mas ao longo deste post vocês irão entender cada pequeno detalhe.

O limite

Depois de três anos só engordando e não ganhando nada com isso. Nem ao menos um espaço no circo ou um palco para um stand up, cheguei no meu limite. É aquele momento onde ou você toma uma decisão ou vai procurar a ponte mais alta para se jogar ou o hospital psiquiátrico mais próximo da região.

O dia do meu limite aconteceu após uma consulta de rotina na nutricionista, onde a balança marcava exatos 92,5 kg. A nutricionista com toda boa intenção tentava ser mais contagiantedo que o discurso de Martin Luther King , ao me convencer que eu seria capaz de emagrecer 22 kg até o final do ano.  Mas o momento do limite vem acompanhado de um desespero e ninguém seria capaz de me acalmar naquele momento.

Sai de lá chorando feito aquela criança do avião, e não havia peito cheio de leite que me fizesse parar de chorar. Entrei no carro e fechei a porta,  porque ninguém era obrigado a escutar o meu choro. Liguei pra minha  mãe, na tentativa de que ela pudesse me acalmar e me colocar nos eixos. #fail. Desliguei o celular e comecei a chorar. Naquele momento eu só pensava no fracasso que era estar pesando muito mais do que eu um dia pensei fosse possível. Eu literalmente sentia os 92,5 kg na minha cabeça e no meu coração. Isso me empurrava para a ponta do penhasco onde eu deveria decidir se dava um passo para trás ou se deixava tudo e me enfiava de cabeça naquele penhasco.

Olha, eu não vou mentir não. Se jogar do penhasco, naquela hora, parecia uma viagem pelas sete maravilhas do mundo com tudo pago. Afinal, era a decisão mais fácil e mais comum: ceder à autocomiseração. Mas naquele momento sombrio, nasceu uma eureka, uma explosão de descoberta. A descoberta que apesar do penhasco ser alto, ao cair eu poderia só me machucar e levar comigo pra sempre uma vida sem perna, ou sem consciência, e mais os 92,5kg ainda comigo. Ao invés de me livrar da dor de engordar, eu iria era somar mais uma dor.

A determinação 

Escolhi dar um passo para trás e me livrar de todo o peso na consciência que faziam os quilos parecerem maiores do que realmente são. Mesmo dizendo que não ligamos para a opinião popular ou para a aceitação social, ela tem o mesmo peso de uma frase mal entendida do melhor amigo. E esses dois pontos impedem que enxerguemos o nosso foco, o nosso objetivo, a nossa idéia fixa.

Após dois anos ignorando um conselho de uma amiga (Tatazinho) por conta de dinheiro, consegui juntar uma grana e encarar uma nutricionista que oferece um pacote com todas as comidas, de todos os dias, de todas as horas e todos os finais de semana. Não é exagero. Mas para quem pensou ” Ah! Assim é fácil. Até o Leôncio do Pica-Pau fica na finura da Olívia Palito”, não é. Comida de hospital é luxo perto dela. Nenhuma gordura, mas também nenhum tempero, nenhum gosto e nenhuma cor nenhuma.

Luxo comparada a minha dieta

É uma dieta restritiva como qualquer outra. Dura e rígida com relação a quantidade e horários. Só que dessa vez eu não me permiti o luxo de chorar e reclamar de nenhum quesito. Evitei qualquer pensamento e indisposição que pudesse colocar a dieta em risco. Foi preciso uma overdose de determinação, ao ponto de deixar a minha mente no automático para dizer não para qualquer comida. Eram seringas e seringas de determinação direto em tudo o que era veia. Emagrecer só dependia de mim, e não havia um “só hoje, vai” que pudesse me desviar do foco.

Para a minha surpresa consegui até sair para restaurantes com amigos e não colocar nada na boca a não ser um suco natural de abacaxi. Consegui ir pra festinha dos aniversariantes da empresa, sem chegar perto de nenhum salgadinho, refrigerante ou brigadeiro. Mas só foi possível com a overdose diária de determinação, e mais outra de consciência de que emagrecer só depende de mim.

Hoje, 12kg a menos…

A estratégia da determinação acabou dando mais certo do que eu imaginava. Já se foram 12kg, uma média de quase 1kg por semana. E tenho que confessar que mesmo as pessoas me atinando para o vislumbre do resultado, eu estou completamente pé no chão com ele. Porque nós gordos sabemos que da mesma forma que perdemos 12kg, podemos recuperá-los fácil fácil. Sad, but true.

Embora com menos 12, ainda me vejo como uma gorda. Porque a minha mente ainda funciona como de uma gorda, que ama comer em restaurantes, adora um brigadeiro de colher e ainda escolhe roupas tamanho 44 e 46. Provavelmente eu serei sempre uma gorda, em uma vida de me policiar em todos os segundos para não me tornar uma gorda cada vez mais gorda. Não que isso seja ruim, mas isso significa a minha vida vai ser mais cheia de restrições do que liberdade gastronômica. Uma sina que nem sempre estamos afim de seguir. Mas por enquanto, nada de desistir. Ainda não.

Antes

Depois

Confissões: Me trate como uma gorda!

O manual de etiqueta ordena: cumprimente as pessoas, seja cortez, diga sempre por favor e obrigado. O “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” são indispensáveis da pessoa educada. Mas eu pergunto, e se ela for gorda? A norma ainda vale? Segundo o mesmo manual é ótimo felicitar uma pessoa quando ela está grávida, mas e se a barriga for de gordura e não de gestação? Tá achando graça, né ?! Mas oh, isso acontece com uma frequencia maior do que você possa imaginar.

Tem poucos gordos que realmente tratam dessa questão: A etiqueta para com aqueles acima do peso. É claro né? Quem vive isso dia-a-dia acaba se acostumando e achando que é a coisa mais normal. O “E aí fofa?! como vai?” é tão natural que nem parece que a pessoa está apenas amenizando a sua real característica. E para falar a verdade, nós gordos até preferimos isso, porque queremos que todos nos enxerguem como fofos e não gordos. Por isso estamos em todo tempo contando piadas e procurando desviar o foco das pessoas da nossa gordice.

Sabe aquela frase “Aquela menina é tão simpática”? Em 70% das vezes ela é aplicada a uma gordinha. Sério, eu desconheço qualquer gordo ou gorda que não seja engraçado, mesmo que seja com humor negro. Precisamos disso, precisamos proporcionar alegria senão, não nos acertamos dentro das panelinhas que nos rodeiam. Até o dia que percebemos que isso REALMENTE cansa. Não estou falando para aqueles que são engraçados e descontraídos de nascença, mas sim daqueles que encontram nessa característica uma bengala para ajudar a seguir em frente.

O que você nunca pode dizer para uma gorda

Bom, com alguns anos de experiência sendo gorda desenvolvi um caderninho com pérolas sobre gordos. Elas vão desde as mais comuns até as extraordinariamente extravagantes. Mas, acreditem se quiser, 50% das pessoas não fazem por mal, fazem porque não conhecem nenhuma outra opção.E olha, eu já estudei, existem realmente poucas opções que não nos afligiriam.

1) Mulher de TPM e vocês no trabalho conversando sobre emagrecer. Aí aquela modelo 36,38 e 40 diz: “Gente eu estou obesa, preciso urgentemente emagrecer. To horrível”. Em mim toca aquele alarme a lá Quentin Tarantino. Vejam bem, pessoal. Não estou falando que você NUNCA pode dizer isso, mas analisem, quem está na obesidade (realmente) há pouco menos de um ano é que sabe o quanto precisa emagrecer. O pior é que isso gera uma mensagem no subconscinete quase que subtamente na gorda: “Putz, se ela acha que é obesa o que eu sou? No mínimo uma jubarte!”. Mas o principal problema não é esse. É que logo após disso, quase que automaticamente a gorda responde: “Querida, obesa estou eu e não você”. O que nos leva à segunda coisa que você deve evitar falar para uma gorda.

2)  “Pára, você está linda! Não está tão gorda assim”. Mais uma vez a sirene toca. Tudo bem ,eu sou linda, mas dizer que eu não estou tão gorda assim? Só eu sei que estou pensando 90kg, com o ICM de 39 que quer dizer obesidade – o IMC 40 já é considerado obesidade mórbida. E aí você vem me dizer que não estou tão gorda assim, na moral? Na MO-RAL? Isso soa nem um pouco diferente do que aquela falsidade necessária. Aquela que você diz pra não ter que falar a verdade e acabar deixando a pessoa mal. Pra mim essa é uma das piores, porém ela não é a mais comum. Por que não dizer “Relaxa! Não encana com isso não. Você está linda assim da mesma forma que era magra!”? . Ok, eu sei que isso é dificílimo de se ouvir, mas é um jeito de não parecer que você está “ignorando” a verdade que está bem na sua frente.

3) Situação: a gorda está comentando cazamiga da dificuldade de perder peso. Então surge: “Fica tranquila! Você vai ver que daqui a pouco você vai perder tudo e ficar magrinha!”. Seguinte, amizade. Quem foi que falou pra você que eu quero ser magrinha? Na moral, magrinha é a Olívia Palito e tudo o que ela conseguiu foi ficar com o Popeye, que era um velho marinheiro que só sabia comer espinafre e por conta disso tinha uma bafo horrível e ainda fumava cachimbo. O pior é que não aguentando o bafo do Popeye, ela tentou alguma coisa com o Brutus, que era um bruta monte com a inteligência de uma planta. É isso mesmo. Nem todo o gordo quer ser magro. Eu não quero voltar a pesar 68kg. Não combina mais comigo, e não vai demonstrar quem eu realmente sou. Uma mulher de coxas grossas, bunda grande, cintura fina e bochechas de Fofão. Não suponha que só porque você não acha beleza em ser gorda, que nós também achamos isso. Os realmente gordos querem perder peso por questões de qualidade de vida, de melhorar a saúde. A maioria atinge a obesidade e isso afetam as articulações, a saúde do coração, do sangue, da coluna, etc.

4) A gorda ou o gordo estão de dieta e o UNIVERSO inteiro sabe. Você teve aquela vontade súbita de comer McDonalds e logo pega o telefone. Por educação você pergunta um a um quem quer pedir também, inclusive para o gordo que você sabe que está de dieta. “Ah! Mas foi por educação!”. Colabora né amizade! Se sabe que a pessoa tem que perder 20kg e precisa fechar a boca, não pergunte se ela quer McDonalds. Apenas ligue. No máximo fale “ Fulano, nem vou perguntar porque sei que tu tá dieta ok?!”. Pronto, resolveu a questão da educação e ainda motivou o fulano a continuar na dieta. O simples fato de perguntar “você quer?” já deixa o estado mental de um gordo todo atordoado. “Meu Deus, eu quero muito, pra caramba, mas não posso, tenho que manter o regime, eu sei que não perdi um grama até agora, mas se eu engordar mais um pouco eu fico com obesidade mórbida, mas a vontade tá piorando, eu não vou aguentar sentir o cheiro e ver todo mundo comendo.Tá, eu vou pedir.Só hoje não faz a diferença”. Pior é que faz. Então seja incisivo e não dê brecha pra qualquer gordo ficar sensível a esses pensamentos.

5) Na loja. A Gorda: Por favor, você tem esse vestido no modelo GG? Vendedora: Não. Mas com toda a certeza o M te serve porque essa forma é gande. A Gorda: Não, pode deixar. Obrigada. Vendedora já com o vestido na mão: Serve sim. Fica tranquila. Experimenta que você vai ver. Ok. Depois de experimentar o que acontece? A gorda se acha mais gorda do que realmente é. Atendentes, um toque. O gordo sabe muito bem o tamanho do seu corpo. Muuuuito bem. Não insista que o modelo vai servir porque é maior, se dissemos não é porque sabemos exatamente onde e como vai ficar apertado.

Top 5
Esse é o meu top 5 das indelicadezas mais indelicadas para um gordo. Eu sei que é muito comum esse tipo de abordagem, mas é por ser tão comum que ele costuma machucar ou testar a nossa paciência várias vezes em um mesmo dia.

Também não somos extremamente sentimentais não! Pelo menos eu não sou. Mas saber tratar cada pessoa de um jeito, e não como mais um na massa, é essencial para qualquer tipo de pessoa, gorda ou não. Não me trate como se eu fosse um manequim 36 quando eu não sou. Somos todos diferentes em personalidades e estilos, mas somos todos seres humanos.

Cinema com batom: as musas que transformaram a bela arte.

Dez Divas que transformaram o cinema

Por Thiago Turbay

Foi essencialmente com o silêncio que percebi o cinema feminino, não a arte etnográfica, mas a entrevisão do belo. São evidentemente suspeitosas as Divas do cinema, pois sua beleza encantadora fora dele poderia ser facilmente incorporada à película. Mas o que aquela força descomunal do belo feminino arrancara dos roteiros? Esta é uma delicada convicção: o cinema é belo e frondoso como as mulheres.

Sugiro uma volta ao tempo. Quando Anita Ekberg (Sylvia Rank) descobre um gato no beco em Roma (La Doce Vita- Fellini, 1960), está prestes a tornar imortal sua interpretação. Pouco depois, dentro da Fontana de Trevi, sua cena com Marcello Mastroianni (Marcelo) entraria para a história do cinema.

Com um gato na cabeça, Ekberg (Sylvia) sugeriu que a arte não era inerte, que há o encanto, ao ceder espaço para a interpretação. Audaciosa e intensa, a cena que seguiu provou que o cinema dependia da estética feminina.

Depois de Anita, Elizabeth Taylor (Cleópatra- Joseph L. Mankiewicz, 1963) representava uma intensa e vigorosa personagem. Cleópatra mostrava o protagonismo e sensualidade, incorporando ao roteiro de falas breves à força da sedução feminina. Liz Taylor achou uma Cleópatra que a mesma procurou ser.

Liv Ulmann estrelou dez dos grandes filmes de Ingmar Bergman, cineasta sueco diretor de “O Sétimo Selo”. Entre “Quando duas Mulheres Pecam” (Bergman, 1972) e o drama psicológico em “Saraband” (Bergman, 2003), Liv Ulmann emprestou sua agressividade em “Gritos e Sussurros” (Bergman, 1972). No filme, Liv interpretou Maria, uma virtude da beleza, severa e doce, da mulher. Maria (Liv) e a irmã Agnes (Harriet Andersson) vivem juntas a descoberta do perdão e angústia de suas vidas, na grande obra-prima do diretor. e vigorosa personagem.

Além de Liv, Ingrid Thulin realizou uma das cenas mais perturbadoras do filme, quando se fere e lambuza com sangue seu rosto. Bergman, em “Gritos e Sussurros”, ainda deu chance a dócil e amorosa Anna (Kari Sylwan), durante a deslumbrante versão de Pietá (Michelangelo, 1499), proposta pelo diretor.

O inquieto Michelangelo Antonioni foi mestre em descobrir grandes atrizes. Em “Blow-up, depois daquele beijo” (Antonioni, 1966), o nu frontal de Jane Birkin espantou os britânicos e encantou os amantes da grande arte, como àqueles que não dispensam um olhar febril sobre as mulheres.  Antonioni apresentou também a atriz Monica Vitti, atriz da trilogia: “A Aventura” (1960), “A Noite” (1961) e “O Eclipse” (1962).

Maria Schneider (O Último Tango em Paris- Bernardo Bertoluci, 1972) completa a lista de atrizes que provocaram o público e transformaram a estética do cinema pela dimensão erótica e marcação das suas interpretações existenciais e contundentes. Schneider interpretou uma jovem provocante que contracena uma novela erótica com Marlon Brando, no clássico de Bertoluci.

Como os grandes diretores, Pedro Almodóvar força um extravagante ritual cênico de beleza e exotismo em seus filmes, cores vibrantes e peles pálidas contracenam com uma descomunal violência dos diálogos, uma imersão de desafetos e amores que explodem a tela. Para tal, Penélope Cruz emprestou sua inocência, vitalidade e agressividade em suas principais obras: “Volver” (Almodóvar, 2005), “Tudo Sobre minha Mãe” (Almodóvar, 1998), “Carne Trêmula” (Almodóvar, 1997).

Sobre Penélope Cruz, a variação de gêneros não atrapalhou a sensualidade. Woody Allen, que bebe de Bertoluci e Antonioni na mesma medida, levou Penélope para ternura e charme em suas obras. Uma descoberta nova, mas essencial. Woody Allen desvendou a palpitação de Penélope com Almodóvar e deu ritmo a seu olhar marcante. Em “Vicky, Cristina e Barcelona (2008)” e “Nero Fiddled (2012)”, o diretor rendeu-se à Penélope.

Como toda lista, algumas grandes personalidades ficaram de foram, mas uma boa medida do cinema cultural é revelada pela presença feminina.

Confissões de uma Gorda: Noiva aos 88kg

De tantos pedidos que recebi, tive que ceder

E bem quando eu estava no auge da minha gordice, o meu príncipe resolve me pedir em casamento. E agora? É claro que dizer SIM foi o primeiro passo, diga-se de passagem, o mais importante. E depois foi a imaginação nas alturas, como seria a cerimônia, qual a decoração, as músicas e BOOM: “Meu Deus, e o meu vestido?

Meninas tamanho 36 ao 44 esse relato não serve pra vocês, então não fiquem triste. As demais leiam com parcimônia.

Como eu sabia que o vestido seria o maior problema de todo o preparativo do casamento,  fui deixando pra mais tarde. Sabe aquele problema que você adia pra resolver porque sabe que vai dar dor de cabeça?

Fiquei noiva em junho de 2010 e me casei em março de 2011. Isso mesmo, como a espera de um bebê eu esperava que o dia que iria marcar a minha vida fosse perfeito. Mas eu sabia que ele não seria se eu continuasse pesando 88 kg.

O primeiro pesadelo
Fui para um nutricionista, porque depois de um ano com remédios, eu acreditava que só emagreceria se fechasse a boca. O nutricionista louco me passou uma dieta restritiva em que, alguns dos dias eu teria que viver de suco. Extremamente tenso. (Nesse momento eu gostaria de agradecer aos colegas de trabalho e familiares que, tão gentilmente ou não, suportaram o meu mau humor de fome). O resumo da ópera, melhor epopéia, é que passados sete meses, lá estava eu com 88kg e um ensaio de noivos para fazer na próxima semana.

O terror e pânico foi estourar dois zíperes, do tipo “invisível”,  na noite anterior ao ensaio. Imaginem uma pessoa chorando de desespero no colo da mãe por ser tão gorda e por não ter um vestido bonito que servisse. A cada vestido experimentado era um rosto vermelho e um pensamento “eu nunca mais vou ser bonita na minha vida”.

Como vocês podem ver, os critérios rígidos do nutricionista não me ajudaram em nada a não ser em crises de choro e de autoestima. Bem, com uma solução prática consegui um look simples e uma make maravilhosa que me deixaram até que charmosa no ensaio. Mentira, estou sendo modesta, o ensaio ficou lindo: contracapa da Inesquecível Casamento de setembro de 2011. Veja na galeria no final do post.

Como um vestido de noiva virou um pesadelo
Passado o primeiro pesadelo, chegou o segundo e o pior. Comecei a ver vestidos em novembro, o que é considerado por todas as lojas de noiva um crime. Essa é a primeira complicação. Visualizem:

Noiva: Boa tarde. Eu marquei um horário para ver vestidos de noivas
Atendente: Noiva, pra quando é o seu casamento?
Noiva: Pra daqui a quatro meses.
Atendente: Meu Deus! Tá muito perto. Pra esse período acho que tenho poucos modelos disponíveis. Menina, você deixou pra ver isso muito encima da hora. Acho difícil você encontrar boas opções nessa altura do campeonato e, principalmente, nas suas medidas.

Pois é. Não é exatamente o que uma noiva GG quer escutar, quatro meses antes do seu casamento? (Sarcasmo mode on). O incrível é que as atendentes 38/40 acham que dar bronca na noiva é um método bem eficiente de vender vestidos. Vai entender?!

E podem acreditar. Esse não foi o melhor elogio que já recebi. Em uma loja de um estilista muito famoso em Brasília cujo nome eu faço gosto em citar, FERNANDO PEIXOTO, foi o lugar onde fiquei conhecendo o vocabulário mais amplo para me dizer que eu era gorda e estava com prazo apertado. Visualizem again:

Eu: Estou marcada pras 14h.
Recepcionista 48: Espero um minutinho que a Atendente 34 já vai te atender.
40 minutos depois
Atendente 34: Ana Paula,vamos descer? Qual o tipo de vestido que você quer?
Eu: Olha eu não sei bem o que eu quero, mas sei direitinho qual eu não quero. Não quero tomara que caia e nem estilo sereia, porque realça meu braço e o meu quadril. Sem exagero nas estampas, mas adoro uma pedraria.
Atendente 34: Como o seu prazo é muito curto, eu vou ter poucos modelos para o seu tamanho. Já volto.
5 minutos depois
Atendente 34: Bom Ana, eu vou ter esses:
Modelo1 – Sereia, drapeado, tomara que caia, off white bem usado e manchado
Modelo 2 – Sereia, com estampas grandes de flores. Sem qualquer marcação do busto.
Modelo 3 – Com mangas longas estampadas e saia estilo bolo de aniversário. Modelito bem anos 70.
Eu: Olha, não gostei de nenhum. (CLARO NEH?!)
Atendente 34: Então olha aí nas nossas araras qual o que você mais gosta.
Eu: Gostei desse com manguinhas curtinhas. Está bem clássico.
Atendente 34: Esse não vai te servir. Não tem pano para soltar.
Eu: E esses dois no final da arara?
Atendente 34 (sem olhar no caderno de reservas): Já estão locados pra sua data.
Eu: E esse daqui, todo trabalhado na renda?
Atendente 34: Não fecha no seu quadril.
Eu: Bom, é melhor você me dizer então qual vai me servir desses que estão aqui.
Atendente 34: Só esses três que eu te trouxe.
Eu: Então eu vim aqui pra experimentar três modelos de vestido que eu não gostei? Não é possível que nenhum desses tenha pano pra soltar.
Atendente 34: Sabe que é Ana Paula, graças a Deus, o Fernando Peixoto é um estilista muito requisitado aqui em Brasília e a agenda dele está sempre lotada. Pra data que você quer não temos muitos disponíveis.
Eu: Então eu posso pelo menos ver o que vocês têm e que já estão reservados pra minha data.
Atendente 34: Não adianta, nenhum deles vai servir em você. Essas noivas têm o corpo menor que o seu e não vão entrar. É difícil ter algum aqui no ateliê que vá te servir. Acho que é melhor você mandar o Fernando fazer um só pra você.
Eu: E quanto isso vai me custa?
Atendente 34: No mínimo uns R$ 5 mil.
Eu: Não obrigada, prefiro alugar. Não é possível que vocês, uma das maiores lojas de noiva de Brasília, não vão ter mais opções de vestidos. Só na Maria Virgínia eu provei cinco vestidos.
Atendente 34: Como eu te disse Ana Paula, o Fernando é muito requisitado. Ele agora está em Milão fazendo a próxima coleção. Daqui uma semana ele está de volta. Por que você não volta aqui em uma semana e nós veremos se tem algum que te serve?

Imaginem só que a atendente, além de ser o poço da grosseria e realmente achar que eu era um saco de pancada, achou que eu seria capaz de voltar lá depois de tudo o que ela me disse. Pra vocês terem uma ideia, eu tive que sair da sala e deixar a minha mãe falando com a atendente, porque depois do que ela falou, eu fiquei sem palavras e com uma vontade enorme de chorar. Várias pessoas me disseram que eu deveria ter confrontado a atendente, mas a verdade é que ninguém sabe como é se sentir completamente aquém de um lugar. Eu realmente achei que eu era tão gorda que não conseguiria um único vestido que ficasse bem. Eu realmente não conseguia ver nada além de gordura. Mente fraca? Não, susto, medo, insegurança, baixa autoestima.

O preconceito não perdoa um grama
Em um mundo ideal o atendimento sem discriminação de cor, raça, religião e peso é natural. Em um país que o voto foi conquistado a base de cacetete e extradições, o preconceito impera em qualquer frase mal sentenciada. Já escutei “ Fica tranqüila que daqui a pouco você está magérrima”, sem ao menos eu falar para essa pessoa que estava incomodada com o meu peso. Quantas vezes já contei pra pessoa errada “Perdi quatro quilos” e escutei “Mas ainda precisa perder mais né?!”. Não estou dizendo que não sou incomodada com a minha aparência, mas estou dizendo que consigo ver o lado positivo dos quilos a mais, mesmo sendo desesperador.

Poxa! Será que é tão difícil respeitar um quadril largo e um braço de lavadeira? Tudo bem que a noiva ideal tem os braços finos, o quadril reto e um rosto escultural, mas qual é a dificuldade em ver a beleza no GG? Eu consegui o meu vestido, mas precisei de uma estilista que é GG pra me fazer sentir confortável no meu corpo. As atendentes, embora 36 e 38, souberam dizer com propriedade quais os vestidos ficaram lindos e quais seriam possíveis para a minha estrutura de corpo. Mesmo os que eu gostava e não me serviam, elas tentavam dar um jeito de pelo menos dar no busto.

Ser noiva aos 88kg foi a pior experiência GG que já passei. Foi a que causou mais danos emocionais. Mas no fim, lá estava eu vestido de noiva e com estilo. Precisei de muito consolo e muita motivação de todos os envolvidos, mas consegui me sentir bonita, confortável e elegante nos meus dois vestidos GGs. Feliz de ter enfrentado as barreiras estilísticas, mas triste pelas pessoas que, infelizmente, terão que passar por isso.

O conselho que eu dou é que, se você é noiva, saia emocionalmente preparada para qualquer tipo de “elogio”ou “complemento” à sua estrutura de corpo. Não deixe, como eu, ser pega de surpresa. Mas se um dia você for maltratada, tenha a noção de que todos nascemos para sermos felizes. E a maior das felicidades é dar valor a nós mesmos. E na real, que se danem os PPs e os 36, usamos GG e 48 mas sabemos exatamente as vantagens das nossas silhuetas.

Aqui algumas fotos do meu ensaio e do casamento.

Le Cinéma: Oscar 2012 premiará o cinema ou Fantasia?

Inaugurando a coluna de cinema do meu Blog está Thiago Turbay, o jornalista com mais sotaque paulista e mineiro que eu já conheci. A nossa amizade é recente, levando em consideração os vários amigos que cativo de longa data, mas não precisou mais do que meia hora de conversa  pra saber que esse menino é a antítese de qualquer jornalista que já conheci: legal e inteligente. (Amigos jornalistas vocês sabem que não me refiro a vocês).

Como disse aqui, esse meu blog também tem a sua parte de responsabilidade social: fazer meus amigos jornalistas que estão cansados do  mesmo a escreverem  sobre algo que sempre quiseram. No caso do Zerinho, como o chamo carinhosamente, é o cinema e toda a fascinação que qualquer pessoa tem por ele.

Então deixem se envolver por este escritor que, assim como você e eu, ainda sabe o que realmente faz os olhos brilharem.

 

Oscar 2012 premiará o cinema ou Fantasia?

Qual filme vencerá a Academia? Não importa, este ano o Oscar reencontra o cinema arte

Por Thiago Turbay

Em uma quarta-feira, como todas as tardes do cineclube UNESP Bauru-SP, começava uma sessão tímida. Alguns alunos folheavam livros diversos, estudavam ou passavam o tempo correndo com os dedos nas palavras, enquanto os cineclubistas aproximavam-se do projetor para começar um diálogo, como se apresentassem para a máquina. Logo o diálogo correria bem, depois do primeiro encontro.

Esta sessão começava idêntica às anteriores. Algumas dúvidas, comentários e críticas apressavam para não competir com o início da película. Só a breve explicação inicial foi diferente, esta mudou o curso da sessão. Uma inquietação tomou conta do anfiteatro 2 da FAAC, Faculdade de Arquitetura, Arte e Comunicação, em 2006.

Alguns levantavam, o primeiro trecho da palestra começou: passaremos um filme curto, 14 minutos da primeira viagem à lua do cinema. O discurso não fora bem empregado.

A película que passamos aquela tarde foi feita por George Méliés, cineasta francês, em 1902. Uma invenção alimentada pelo ilusionismo e a possibilidade do cinema de realizar sonhos. Organogramas de imagens sobrepostas, intimidando cenários reais e interagindo com atores, uma mobilidade incrível que derrubava o cristianismo da fotografia. O divino, depois de Méliés, apresentava-se em movimento.
Foi com esta ternura que descobri Méliés e mantenho até hoje. Quando vi “Le Voyage dans la Lune”, àquela tarde, abasteci meus olhos. O cenário e atores pareciam controlados por palitos, como durante as operas que encenava com meu pai, em uma caixa de sapato. Foi um momento único, em que o cinema voltou ao seu propósito de encantar.

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Mudar é sempre bom!

Esta galeria contém 5 fotos.

  Cortei minhas madeixas. E sim, fui extremamente radical. Poucas pessoas sabem, mas eu queria fazer isso há séculos, só não estava casando as ocasiões. Primeiro eu tinha que deixar crescer para o casamento, depois que casei queria cortar no ombro para fazer umas peripécias. Aí me deu na telha de fazer umas “californianas” rosa, … Continue lendo