Confissões: Me trate como uma gorda!

O manual de etiqueta ordena: cumprimente as pessoas, seja cortez, diga sempre por favor e obrigado. O “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” são indispensáveis da pessoa educada. Mas eu pergunto, e se ela for gorda? A norma ainda vale? Segundo o mesmo manual é ótimo felicitar uma pessoa quando ela está grávida, mas e se a barriga for de gordura e não de gestação? Tá achando graça, né ?! Mas oh, isso acontece com uma frequencia maior do que você possa imaginar.

Tem poucos gordos que realmente tratam dessa questão: A etiqueta para com aqueles acima do peso. É claro né? Quem vive isso dia-a-dia acaba se acostumando e achando que é a coisa mais normal. O “E aí fofa?! como vai?” é tão natural que nem parece que a pessoa está apenas amenizando a sua real característica. E para falar a verdade, nós gordos até preferimos isso, porque queremos que todos nos enxerguem como fofos e não gordos. Por isso estamos em todo tempo contando piadas e procurando desviar o foco das pessoas da nossa gordice.

Sabe aquela frase “Aquela menina é tão simpática”? Em 70% das vezes ela é aplicada a uma gordinha. Sério, eu desconheço qualquer gordo ou gorda que não seja engraçado, mesmo que seja com humor negro. Precisamos disso, precisamos proporcionar alegria senão, não nos acertamos dentro das panelinhas que nos rodeiam. Até o dia que percebemos que isso REALMENTE cansa. Não estou falando para aqueles que são engraçados e descontraídos de nascença, mas sim daqueles que encontram nessa característica uma bengala para ajudar a seguir em frente.

O que você nunca pode dizer para uma gorda

Bom, com alguns anos de experiência sendo gorda desenvolvi um caderninho com pérolas sobre gordos. Elas vão desde as mais comuns até as extraordinariamente extravagantes. Mas, acreditem se quiser, 50% das pessoas não fazem por mal, fazem porque não conhecem nenhuma outra opção.E olha, eu já estudei, existem realmente poucas opções que não nos afligiriam.

1) Mulher de TPM e vocês no trabalho conversando sobre emagrecer. Aí aquela modelo 36,38 e 40 diz: “Gente eu estou obesa, preciso urgentemente emagrecer. To horrível”. Em mim toca aquele alarme a lá Quentin Tarantino. Vejam bem, pessoal. Não estou falando que você NUNCA pode dizer isso, mas analisem, quem está na obesidade (realmente) há pouco menos de um ano é que sabe o quanto precisa emagrecer. O pior é que isso gera uma mensagem no subconscinete quase que subtamente na gorda: “Putz, se ela acha que é obesa o que eu sou? No mínimo uma jubarte!”. Mas o principal problema não é esse. É que logo após disso, quase que automaticamente a gorda responde: “Querida, obesa estou eu e não você”. O que nos leva à segunda coisa que você deve evitar falar para uma gorda.

2)  “Pára, você está linda! Não está tão gorda assim”. Mais uma vez a sirene toca. Tudo bem ,eu sou linda, mas dizer que eu não estou tão gorda assim? Só eu sei que estou pensando 90kg, com o ICM de 39 que quer dizer obesidade – o IMC 40 já é considerado obesidade mórbida. E aí você vem me dizer que não estou tão gorda assim, na moral? Na MO-RAL? Isso soa nem um pouco diferente do que aquela falsidade necessária. Aquela que você diz pra não ter que falar a verdade e acabar deixando a pessoa mal. Pra mim essa é uma das piores, porém ela não é a mais comum. Por que não dizer “Relaxa! Não encana com isso não. Você está linda assim da mesma forma que era magra!”? . Ok, eu sei que isso é dificílimo de se ouvir, mas é um jeito de não parecer que você está “ignorando” a verdade que está bem na sua frente.

3) Situação: a gorda está comentando cazamiga da dificuldade de perder peso. Então surge: “Fica tranquila! Você vai ver que daqui a pouco você vai perder tudo e ficar magrinha!”. Seguinte, amizade. Quem foi que falou pra você que eu quero ser magrinha? Na moral, magrinha é a Olívia Palito e tudo o que ela conseguiu foi ficar com o Popeye, que era um velho marinheiro que só sabia comer espinafre e por conta disso tinha uma bafo horrível e ainda fumava cachimbo. O pior é que não aguentando o bafo do Popeye, ela tentou alguma coisa com o Brutus, que era um bruta monte com a inteligência de uma planta. É isso mesmo. Nem todo o gordo quer ser magro. Eu não quero voltar a pesar 68kg. Não combina mais comigo, e não vai demonstrar quem eu realmente sou. Uma mulher de coxas grossas, bunda grande, cintura fina e bochechas de Fofão. Não suponha que só porque você não acha beleza em ser gorda, que nós também achamos isso. Os realmente gordos querem perder peso por questões de qualidade de vida, de melhorar a saúde. A maioria atinge a obesidade e isso afetam as articulações, a saúde do coração, do sangue, da coluna, etc.

4) A gorda ou o gordo estão de dieta e o UNIVERSO inteiro sabe. Você teve aquela vontade súbita de comer McDonalds e logo pega o telefone. Por educação você pergunta um a um quem quer pedir também, inclusive para o gordo que você sabe que está de dieta. “Ah! Mas foi por educação!”. Colabora né amizade! Se sabe que a pessoa tem que perder 20kg e precisa fechar a boca, não pergunte se ela quer McDonalds. Apenas ligue. No máximo fale “ Fulano, nem vou perguntar porque sei que tu tá dieta ok?!”. Pronto, resolveu a questão da educação e ainda motivou o fulano a continuar na dieta. O simples fato de perguntar “você quer?” já deixa o estado mental de um gordo todo atordoado. “Meu Deus, eu quero muito, pra caramba, mas não posso, tenho que manter o regime, eu sei que não perdi um grama até agora, mas se eu engordar mais um pouco eu fico com obesidade mórbida, mas a vontade tá piorando, eu não vou aguentar sentir o cheiro e ver todo mundo comendo.Tá, eu vou pedir.Só hoje não faz a diferença”. Pior é que faz. Então seja incisivo e não dê brecha pra qualquer gordo ficar sensível a esses pensamentos.

5) Na loja. A Gorda: Por favor, você tem esse vestido no modelo GG? Vendedora: Não. Mas com toda a certeza o M te serve porque essa forma é gande. A Gorda: Não, pode deixar. Obrigada. Vendedora já com o vestido na mão: Serve sim. Fica tranquila. Experimenta que você vai ver. Ok. Depois de experimentar o que acontece? A gorda se acha mais gorda do que realmente é. Atendentes, um toque. O gordo sabe muito bem o tamanho do seu corpo. Muuuuito bem. Não insista que o modelo vai servir porque é maior, se dissemos não é porque sabemos exatamente onde e como vai ficar apertado.

Top 5
Esse é o meu top 5 das indelicadezas mais indelicadas para um gordo. Eu sei que é muito comum esse tipo de abordagem, mas é por ser tão comum que ele costuma machucar ou testar a nossa paciência várias vezes em um mesmo dia.

Também não somos extremamente sentimentais não! Pelo menos eu não sou. Mas saber tratar cada pessoa de um jeito, e não como mais um na massa, é essencial para qualquer tipo de pessoa, gorda ou não. Não me trate como se eu fosse um manequim 36 quando eu não sou. Somos todos diferentes em personalidades e estilos, mas somos todos seres humanos.

Cinema com batom: as musas que transformaram a bela arte.

Dez Divas que transformaram o cinema

Por Thiago Turbay

Foi essencialmente com o silêncio que percebi o cinema feminino, não a arte etnográfica, mas a entrevisão do belo. São evidentemente suspeitosas as Divas do cinema, pois sua beleza encantadora fora dele poderia ser facilmente incorporada à película. Mas o que aquela força descomunal do belo feminino arrancara dos roteiros? Esta é uma delicada convicção: o cinema é belo e frondoso como as mulheres.

Sugiro uma volta ao tempo. Quando Anita Ekberg (Sylvia Rank) descobre um gato no beco em Roma (La Doce Vita- Fellini, 1960), está prestes a tornar imortal sua interpretação. Pouco depois, dentro da Fontana de Trevi, sua cena com Marcello Mastroianni (Marcelo) entraria para a história do cinema.

Com um gato na cabeça, Ekberg (Sylvia) sugeriu que a arte não era inerte, que há o encanto, ao ceder espaço para a interpretação. Audaciosa e intensa, a cena que seguiu provou que o cinema dependia da estética feminina.

Depois de Anita, Elizabeth Taylor (Cleópatra- Joseph L. Mankiewicz, 1963) representava uma intensa e vigorosa personagem. Cleópatra mostrava o protagonismo e sensualidade, incorporando ao roteiro de falas breves à força da sedução feminina. Liz Taylor achou uma Cleópatra que a mesma procurou ser.

Liv Ulmann estrelou dez dos grandes filmes de Ingmar Bergman, cineasta sueco diretor de “O Sétimo Selo”. Entre “Quando duas Mulheres Pecam” (Bergman, 1972) e o drama psicológico em “Saraband” (Bergman, 2003), Liv Ulmann emprestou sua agressividade em “Gritos e Sussurros” (Bergman, 1972). No filme, Liv interpretou Maria, uma virtude da beleza, severa e doce, da mulher. Maria (Liv) e a irmã Agnes (Harriet Andersson) vivem juntas a descoberta do perdão e angústia de suas vidas, na grande obra-prima do diretor. e vigorosa personagem.

Além de Liv, Ingrid Thulin realizou uma das cenas mais perturbadoras do filme, quando se fere e lambuza com sangue seu rosto. Bergman, em “Gritos e Sussurros”, ainda deu chance a dócil e amorosa Anna (Kari Sylwan), durante a deslumbrante versão de Pietá (Michelangelo, 1499), proposta pelo diretor.

O inquieto Michelangelo Antonioni foi mestre em descobrir grandes atrizes. Em “Blow-up, depois daquele beijo” (Antonioni, 1966), o nu frontal de Jane Birkin espantou os britânicos e encantou os amantes da grande arte, como àqueles que não dispensam um olhar febril sobre as mulheres.  Antonioni apresentou também a atriz Monica Vitti, atriz da trilogia: “A Aventura” (1960), “A Noite” (1961) e “O Eclipse” (1962).

Maria Schneider (O Último Tango em Paris- Bernardo Bertoluci, 1972) completa a lista de atrizes que provocaram o público e transformaram a estética do cinema pela dimensão erótica e marcação das suas interpretações existenciais e contundentes. Schneider interpretou uma jovem provocante que contracena uma novela erótica com Marlon Brando, no clássico de Bertoluci.

Como os grandes diretores, Pedro Almodóvar força um extravagante ritual cênico de beleza e exotismo em seus filmes, cores vibrantes e peles pálidas contracenam com uma descomunal violência dos diálogos, uma imersão de desafetos e amores que explodem a tela. Para tal, Penélope Cruz emprestou sua inocência, vitalidade e agressividade em suas principais obras: “Volver” (Almodóvar, 2005), “Tudo Sobre minha Mãe” (Almodóvar, 1998), “Carne Trêmula” (Almodóvar, 1997).

Sobre Penélope Cruz, a variação de gêneros não atrapalhou a sensualidade. Woody Allen, que bebe de Bertoluci e Antonioni na mesma medida, levou Penélope para ternura e charme em suas obras. Uma descoberta nova, mas essencial. Woody Allen desvendou a palpitação de Penélope com Almodóvar e deu ritmo a seu olhar marcante. Em “Vicky, Cristina e Barcelona (2008)” e “Nero Fiddled (2012)”, o diretor rendeu-se à Penélope.

Como toda lista, algumas grandes personalidades ficaram de foram, mas uma boa medida do cinema cultural é revelada pela presença feminina.

Confissões de uma Gorda: Noiva aos 88kg

De tantos pedidos que recebi, tive que ceder

E bem quando eu estava no auge da minha gordice, o meu príncipe resolve me pedir em casamento. E agora? É claro que dizer SIM foi o primeiro passo, diga-se de passagem, o mais importante. E depois foi a imaginação nas alturas, como seria a cerimônia, qual a decoração, as músicas e BOOM: “Meu Deus, e o meu vestido?

Meninas tamanho 36 ao 44 esse relato não serve pra vocês, então não fiquem triste. As demais leiam com parcimônia.

Como eu sabia que o vestido seria o maior problema de todo o preparativo do casamento,  fui deixando pra mais tarde. Sabe aquele problema que você adia pra resolver porque sabe que vai dar dor de cabeça?

Fiquei noiva em junho de 2010 e me casei em março de 2011. Isso mesmo, como a espera de um bebê eu esperava que o dia que iria marcar a minha vida fosse perfeito. Mas eu sabia que ele não seria se eu continuasse pesando 88 kg.

O primeiro pesadelo
Fui para um nutricionista, porque depois de um ano com remédios, eu acreditava que só emagreceria se fechasse a boca. O nutricionista louco me passou uma dieta restritiva em que, alguns dos dias eu teria que viver de suco. Extremamente tenso. (Nesse momento eu gostaria de agradecer aos colegas de trabalho e familiares que, tão gentilmente ou não, suportaram o meu mau humor de fome). O resumo da ópera, melhor epopéia, é que passados sete meses, lá estava eu com 88kg e um ensaio de noivos para fazer na próxima semana.

O terror e pânico foi estourar dois zíperes, do tipo “invisível”,  na noite anterior ao ensaio. Imaginem uma pessoa chorando de desespero no colo da mãe por ser tão gorda e por não ter um vestido bonito que servisse. A cada vestido experimentado era um rosto vermelho e um pensamento “eu nunca mais vou ser bonita na minha vida”.

Como vocês podem ver, os critérios rígidos do nutricionista não me ajudaram em nada a não ser em crises de choro e de autoestima. Bem, com uma solução prática consegui um look simples e uma make maravilhosa que me deixaram até que charmosa no ensaio. Mentira, estou sendo modesta, o ensaio ficou lindo: contracapa da Inesquecível Casamento de setembro de 2011. Veja na galeria no final do post.

Como um vestido de noiva virou um pesadelo
Passado o primeiro pesadelo, chegou o segundo e o pior. Comecei a ver vestidos em novembro, o que é considerado por todas as lojas de noiva um crime. Essa é a primeira complicação. Visualizem:

Noiva: Boa tarde. Eu marquei um horário para ver vestidos de noivas
Atendente: Noiva, pra quando é o seu casamento?
Noiva: Pra daqui a quatro meses.
Atendente: Meu Deus! Tá muito perto. Pra esse período acho que tenho poucos modelos disponíveis. Menina, você deixou pra ver isso muito encima da hora. Acho difícil você encontrar boas opções nessa altura do campeonato e, principalmente, nas suas medidas.

Pois é. Não é exatamente o que uma noiva GG quer escutar, quatro meses antes do seu casamento? (Sarcasmo mode on). O incrível é que as atendentes 38/40 acham que dar bronca na noiva é um método bem eficiente de vender vestidos. Vai entender?!

E podem acreditar. Esse não foi o melhor elogio que já recebi. Em uma loja de um estilista muito famoso em Brasília cujo nome eu faço gosto em citar, FERNANDO PEIXOTO, foi o lugar onde fiquei conhecendo o vocabulário mais amplo para me dizer que eu era gorda e estava com prazo apertado. Visualizem again:

Eu: Estou marcada pras 14h.
Recepcionista 48: Espero um minutinho que a Atendente 34 já vai te atender.
40 minutos depois
Atendente 34: Ana Paula,vamos descer? Qual o tipo de vestido que você quer?
Eu: Olha eu não sei bem o que eu quero, mas sei direitinho qual eu não quero. Não quero tomara que caia e nem estilo sereia, porque realça meu braço e o meu quadril. Sem exagero nas estampas, mas adoro uma pedraria.
Atendente 34: Como o seu prazo é muito curto, eu vou ter poucos modelos para o seu tamanho. Já volto.
5 minutos depois
Atendente 34: Bom Ana, eu vou ter esses:
Modelo1 – Sereia, drapeado, tomara que caia, off white bem usado e manchado
Modelo 2 – Sereia, com estampas grandes de flores. Sem qualquer marcação do busto.
Modelo 3 – Com mangas longas estampadas e saia estilo bolo de aniversário. Modelito bem anos 70.
Eu: Olha, não gostei de nenhum. (CLARO NEH?!)
Atendente 34: Então olha aí nas nossas araras qual o que você mais gosta.
Eu: Gostei desse com manguinhas curtinhas. Está bem clássico.
Atendente 34: Esse não vai te servir. Não tem pano para soltar.
Eu: E esses dois no final da arara?
Atendente 34 (sem olhar no caderno de reservas): Já estão locados pra sua data.
Eu: E esse daqui, todo trabalhado na renda?
Atendente 34: Não fecha no seu quadril.
Eu: Bom, é melhor você me dizer então qual vai me servir desses que estão aqui.
Atendente 34: Só esses três que eu te trouxe.
Eu: Então eu vim aqui pra experimentar três modelos de vestido que eu não gostei? Não é possível que nenhum desses tenha pano pra soltar.
Atendente 34: Sabe que é Ana Paula, graças a Deus, o Fernando Peixoto é um estilista muito requisitado aqui em Brasília e a agenda dele está sempre lotada. Pra data que você quer não temos muitos disponíveis.
Eu: Então eu posso pelo menos ver o que vocês têm e que já estão reservados pra minha data.
Atendente 34: Não adianta, nenhum deles vai servir em você. Essas noivas têm o corpo menor que o seu e não vão entrar. É difícil ter algum aqui no ateliê que vá te servir. Acho que é melhor você mandar o Fernando fazer um só pra você.
Eu: E quanto isso vai me custa?
Atendente 34: No mínimo uns R$ 5 mil.
Eu: Não obrigada, prefiro alugar. Não é possível que vocês, uma das maiores lojas de noiva de Brasília, não vão ter mais opções de vestidos. Só na Maria Virgínia eu provei cinco vestidos.
Atendente 34: Como eu te disse Ana Paula, o Fernando é muito requisitado. Ele agora está em Milão fazendo a próxima coleção. Daqui uma semana ele está de volta. Por que você não volta aqui em uma semana e nós veremos se tem algum que te serve?

Imaginem só que a atendente, além de ser o poço da grosseria e realmente achar que eu era um saco de pancada, achou que eu seria capaz de voltar lá depois de tudo o que ela me disse. Pra vocês terem uma ideia, eu tive que sair da sala e deixar a minha mãe falando com a atendente, porque depois do que ela falou, eu fiquei sem palavras e com uma vontade enorme de chorar. Várias pessoas me disseram que eu deveria ter confrontado a atendente, mas a verdade é que ninguém sabe como é se sentir completamente aquém de um lugar. Eu realmente achei que eu era tão gorda que não conseguiria um único vestido que ficasse bem. Eu realmente não conseguia ver nada além de gordura. Mente fraca? Não, susto, medo, insegurança, baixa autoestima.

O preconceito não perdoa um grama
Em um mundo ideal o atendimento sem discriminação de cor, raça, religião e peso é natural. Em um país que o voto foi conquistado a base de cacetete e extradições, o preconceito impera em qualquer frase mal sentenciada. Já escutei “ Fica tranqüila que daqui a pouco você está magérrima”, sem ao menos eu falar para essa pessoa que estava incomodada com o meu peso. Quantas vezes já contei pra pessoa errada “Perdi quatro quilos” e escutei “Mas ainda precisa perder mais né?!”. Não estou dizendo que não sou incomodada com a minha aparência, mas estou dizendo que consigo ver o lado positivo dos quilos a mais, mesmo sendo desesperador.

Poxa! Será que é tão difícil respeitar um quadril largo e um braço de lavadeira? Tudo bem que a noiva ideal tem os braços finos, o quadril reto e um rosto escultural, mas qual é a dificuldade em ver a beleza no GG? Eu consegui o meu vestido, mas precisei de uma estilista que é GG pra me fazer sentir confortável no meu corpo. As atendentes, embora 36 e 38, souberam dizer com propriedade quais os vestidos ficaram lindos e quais seriam possíveis para a minha estrutura de corpo. Mesmo os que eu gostava e não me serviam, elas tentavam dar um jeito de pelo menos dar no busto.

Ser noiva aos 88kg foi a pior experiência GG que já passei. Foi a que causou mais danos emocionais. Mas no fim, lá estava eu vestido de noiva e com estilo. Precisei de muito consolo e muita motivação de todos os envolvidos, mas consegui me sentir bonita, confortável e elegante nos meus dois vestidos GGs. Feliz de ter enfrentado as barreiras estilísticas, mas triste pelas pessoas que, infelizmente, terão que passar por isso.

O conselho que eu dou é que, se você é noiva, saia emocionalmente preparada para qualquer tipo de “elogio”ou “complemento” à sua estrutura de corpo. Não deixe, como eu, ser pega de surpresa. Mas se um dia você for maltratada, tenha a noção de que todos nascemos para sermos felizes. E a maior das felicidades é dar valor a nós mesmos. E na real, que se danem os PPs e os 36, usamos GG e 48 mas sabemos exatamente as vantagens das nossas silhuetas.

Aqui algumas fotos do meu ensaio e do casamento.

Le Cinéma: Oscar 2012 premiará o cinema ou Fantasia?

Inaugurando a coluna de cinema do meu Blog está Thiago Turbay, o jornalista com mais sotaque paulista e mineiro que eu já conheci. A nossa amizade é recente, levando em consideração os vários amigos que cativo de longa data, mas não precisou mais do que meia hora de conversa  pra saber que esse menino é a antítese de qualquer jornalista que já conheci: legal e inteligente. (Amigos jornalistas vocês sabem que não me refiro a vocês).

Como disse aqui, esse meu blog também tem a sua parte de responsabilidade social: fazer meus amigos jornalistas que estão cansados do  mesmo a escreverem  sobre algo que sempre quiseram. No caso do Zerinho, como o chamo carinhosamente, é o cinema e toda a fascinação que qualquer pessoa tem por ele.

Então deixem se envolver por este escritor que, assim como você e eu, ainda sabe o que realmente faz os olhos brilharem.

 

Oscar 2012 premiará o cinema ou Fantasia?

Qual filme vencerá a Academia? Não importa, este ano o Oscar reencontra o cinema arte

Por Thiago Turbay

Em uma quarta-feira, como todas as tardes do cineclube UNESP Bauru-SP, começava uma sessão tímida. Alguns alunos folheavam livros diversos, estudavam ou passavam o tempo correndo com os dedos nas palavras, enquanto os cineclubistas aproximavam-se do projetor para começar um diálogo, como se apresentassem para a máquina. Logo o diálogo correria bem, depois do primeiro encontro.

Esta sessão começava idêntica às anteriores. Algumas dúvidas, comentários e críticas apressavam para não competir com o início da película. Só a breve explicação inicial foi diferente, esta mudou o curso da sessão. Uma inquietação tomou conta do anfiteatro 2 da FAAC, Faculdade de Arquitetura, Arte e Comunicação, em 2006.

Alguns levantavam, o primeiro trecho da palestra começou: passaremos um filme curto, 14 minutos da primeira viagem à lua do cinema. O discurso não fora bem empregado.

A película que passamos aquela tarde foi feita por George Méliés, cineasta francês, em 1902. Uma invenção alimentada pelo ilusionismo e a possibilidade do cinema de realizar sonhos. Organogramas de imagens sobrepostas, intimidando cenários reais e interagindo com atores, uma mobilidade incrível que derrubava o cristianismo da fotografia. O divino, depois de Méliés, apresentava-se em movimento.
Foi com esta ternura que descobri Méliés e mantenho até hoje. Quando vi “Le Voyage dans la Lune”, àquela tarde, abasteci meus olhos. O cenário e atores pareciam controlados por palitos, como durante as operas que encenava com meu pai, em uma caixa de sapato. Foi um momento único, em que o cinema voltou ao seu propósito de encantar.

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Mudar é sempre bom!

Esta galeria contém 5 fotos.

  Cortei minhas madeixas. E sim, fui extremamente radical. Poucas pessoas sabem, mas eu queria fazer isso há séculos, só não estava casando as ocasiões. Primeiro eu tinha que deixar crescer para o casamento, depois que casei queria cortar no ombro para fazer umas peripécias. Aí me deu na telha de fazer umas “californianas” rosa, … Continue lendo 

The Last Time

 

“Quando encontramos o amor pela primeira vez, ninguém nos diz que ele pode não ser para sempre. E, principalmente, ninguém nos diz que talvez o nosso destino não seja amar alguém para sempre”, começa a escrever em seu diário o protagonista da história. Ele não é nada mais do que um doce, horroroso e delicado coração quebrado. Tudo o que você precisa saber sobre ele é que seu signo é de capricórnio e ele tem um dom, raro nos seres humanos: sabe reconhecer a verdade quando se depara com ela. Sem mais delongas, deixemos nosso protagonista continuar seu discurso no ritual diário de escrever, o único momento em que suas verdades não são tidas como loucuras psicóticas e conscientes.

“O desespero pelo primeiro beijo, a excitação da primeira transa, a primeira cama compartilhada, o sim no casamento. Tudo indica que nosso amor é eterno e que fomos feitos um para o outro. O tempo que passamos juntos parecem uma mordida na mais branca nuvem, que faz cócegas no céu da boca ao estalar pequenos raios, desatinando uma risada incontida. Nossas brigas são feito noticiários policiais de capa de jornal, que causam vertigem e tempestades que arrancam pedaços tão pequenos e profundos , que é impossível me recompor em questões de horas. Mesmo assim é o amor, em maior ou menor grau.

Quando a plena felicidade do amor chega e aquela certeza vem como um furacão em alto mar, é impossível não ter a convicção de que nascemos um para o outro. A maneira em que nos conciliamos também só acumula certezas na minha lista. Mas lá no fundo, bem no fundo eu sei que meu destino é outro.

Não suporto a ideia de me ver em uma outra cama sem aquele cheiro de sono que você exala toda noite. Não aguento pensar que um dia não seremos mais o que somos hoje, mas no fundo, bem no fundo, sei que estamos fadados ao fim.

Pode parecer o clichê mais insuportável do mundo, mas não é você, sou eu. Não são nossas brigas irracionais que me levam a, desesperadamente, te agredir com palavras e tapas. Muito menos são os gritos e o fato de sermos tão antagônicos nos nossos gostos. Não são essas coisas. Porque eu não me importo com elas. Porque no final a gente se vira bem, a gente se entende, a gente se encaixa e se molda.

É óbvio que isso é amor, o mais puro e simples. Desde o começo não queria te mudar, não queria que você fosse outra pessoa só para adequar as minhas vontades mais egoístas. E desde o começo nós sabíamos que nosso gênios tão distintos precisariam se moldar a marteladas constantes. E nem por isso deixamos de dizer sim na hora que quisemos. Mas no fundo, lá no fundo eu sei que partirei para outro lugar.

Às vezes a estrada fica difícil…eu não sei por que. Isso não quer dizer que eu deixe de te amar, muito pelo contrário, eu amo mais que a mim mesmo. Mas meu destino grita bem alto dentro de mim que, minha estrada é por outra rota e você, infelizmente, não está nela. Eu realmente sei para onde ela leva, milhas e milhas bem distante de você. Por mais paradoxal que possa parecer, no meu coração só estará você por um bom tempo. “

Nesse exato momento alguém bate na porta do quarto. Nosso protagonista se desespera porque esses momentos de loucura não passavam com um simples fechar do caderno. Havia todo um ritual para que esse ‘eu’ tão verdadeiro fosse embora. Era ela. Ele se desesperou.

- Oi, amor. O que você quer? Não estou podendo abrir a porta nesse momento.

Ela insistiu em bater na porta. Ele não teve outra saída. Abriu a porta…e ele sabia, naquele exato momento, que esse seria o fim. Mas antes disso ele escreveu aquilo que estava escrito na linha da vida na palma de sua mão.

“Você nunca vai entender o porque, então eu peço apenas que entenda o seguinte: Eu te amo como nunca amei ninguém, ou até a mim mesmo. Mas a tristeza de encarar as risadas sarcásticas, os choros debaixo da ponte, o prazer em fazer a tristeza, tem sido demais para mim. Infelizmente, meu doce, eu estou fadado à morte hoje. E infelizmente, nosso amor, nasceu para morrer, sem uma explicação concreta”.

Ele abriu a porta, e naquele exato momento uma vida se foi para uma dimensão desconhecida.

A dor do amor não é revelada. A felicidade e a excentricidade de sofrer o não correspondido é o que estampam o imaginário do ser humano. Mas hoje não. Hoje, foi dita a verdade sem sequer pensar no julgamento insano. Ele sorria enquanto o sorriso o perseguia. Mas a certeza nunca fugiu da sua mente. E a certeza do amor também não. Talvez seja por isso que, o amor nasceu para morrer.

Uma doce ilusão diária…

Minhas Confissões de Gorda (Parte 2)

Regra número um do manual de uma gorda: Prepare-se para enxergar o mundo inteiro como uma Olívia Palito.É a mais pura verdade. Quando se fica gordo, todo mundo parece magro, esbelto e sexy e você aquele saco de batatas podres no fundo da Quitanda do Seu Zé. Como cantava o querido James Hetfield, vocalista do Metallica: “Sad, but true”.

A perspectiva sobre a vida para um gordo resume-se a acreditar que, toda pessoa que anda de short jeans e camiseta baby look é, em comparação consigo mesmo, uma Gisele Bündchen. Não importa o tanto de espinha que a pessoa tenha, não importa o quanto o nariz dela é grande, muito menos que algumas estrias estão à mostra na parte em que a baby look não cobre. A gorda só consegue pensar na seguinte frase: “Pelo menos ela é magra e não pesa 88kg”. Again, “sad, but true”.

Regra nº2: Corra dos vestiários de lojas de departamento

Como ficar gorda não está no planejamento de nenhuma pessoa – a não ser dos atores de cinema – quando se depara com a situação, ninguém está preparado. Em todos os sentidos. Seu psicológico está atordoado, cavando várias maneiras de sabotar a sua razão e lhe levando para o lado negro da força. Nada de bom, com relação a você mesmo, sai da sua boca. E quando aquela amiga fala “Nossa que vestido lindo”, a gorda automaticamente pensa “Ela tá falando isso para não falar o quanto eu estou parecendo a versão brasileira da Molly” (do seriado Mike n’ Molly).

Se o psicológico está desse jeito, imagine o guarda-roupa? Cheio das roupinhas do alto verão, dos tempos áureos de “magreza”. As roupas mais queridas agora ganham adjetivos depreciativos. Para blusa de alcinha, leia-se “meu braço de gordo, da espessura da minha canela, à mostra”. Vestido tomara que caia, leia-se “as gorduras ao lado do seio pulando para fora do vestido abruptamente”. Calça Jeans, leia-se “divisão da barriga em dois pneus de tratores, sendo que um é edição especial blue jeans”. Conseguiu visualizar o que é o terror do psicológico agitado, com o guarda-roupa despreparado?

Pois bem, é por conta desse cenário que é inevitável que, em primeira instância de engordamento, uma gorda deve, obrigatoriamente, correr de todos os vestiário de mega stores. Isso mesmo, diga adeus à C&A, Renner, Riachuelo,Marisa, Zara, Luigi Bertolli, Hering, Siberian, Otoch e diga oi para lojas modelos plus size, Malwee, feiras de roupas (como Feira da Lua, Feira do Guará, 25 de março) e comprar na gringa.

A cena mais típica quando se contraria esta regra é a seguinte, inevitavelmente sofrida por mim. (Atenção cenas fortes para quem se encontra na fase um de gordice).

Com o guarda-roupa cheio de roupas apertadas ou que marcavam minhas “ancas largas” (by Augusto dos Anjos), precisei sair para comprar roupas para trabalhar e para o dia-a-dia que me servissem. Embora estivesse já 15kg mais gorda, a mente continuava de magra. O que me levou diretamente nas lojas que costumava ir. Já na terceira loja e ao provar a quinta calça jeans tamanho 46, que obviamente não serviu, o meu psicológico esmoreceu. Uma raiva imensa do botão que não fechou e um choro compulsivo por literalmente não ter uma roupa que me servisse. Um choro tão grande que até a atendente foi no meu vestiário dar aquele tapinha nas costas. É um choro tão doido e tão desesperador que não te dá ânimo de ver mais nada de roupa, e se pudesse você andaria para todo o sempre nua.Predomina o desejo de sumir do mapa ou de nunca ter nascido ou os dois juntos.

É nessa hora que mora o perigo, porque a autocomiseração cresce nesse ambiente psicológico. E não existe coisa pior que autocomiseração, porque ela simplesmente não te leva a lugar algum. Você não cresce com ela, nem consegue fazer uma análise sábia sobre a real situação. Como dizia Marcel Proust, temos dois tipos de sofredores: os maus e os bons. Os maus sofrem e não crescem com a dor, os bons a todo o momento estão buscando ferramentas para entender o sofrimento e crescer com eles. Ter autocomiseração só nos torna maus sofredores, estagnados no peso, na sabedoria, na tristeza e na depressão. Repito: a regra número dois do manual da gorda é fugir, correr em máxima velocidade, das lojas convencionais

Fazendo as pazes com a perseverança

Para toda regra há uma solução para adaptá-la ao seu cotidiano. Pelo menos no meu mundo é assim que funciona (por isso namorei um ano escondido dos meus pais) :D . Sei que no começo pode parecer difícil e horrível tentar comprar uma roupa, porque de fato o mercado da moda é diretamente improporcional ao mundo das gordinhas. Embora tenhamos mais numeração 48 e o tamanho GG nas araras, ainda é muito difícil ser gorda e andar na moda.

Mas como dizia o efusivo Douglas Adams “DON’T PANIC”, assim mesmo “em letras garrafais”. Porque assim como um dia você está magra, no outro você está gorda e você não é a única. Na internet você encontra várias dessas pessoas que, assim como eu, escrevem sobre suas dificuldades, medos e principalmente, com orgulho de todas as curvas. Sim, é possível sentir orgulhos das nossas curvas GG.

É por isso que o meu conselho para conseguir seguir a regra número dois é: Não se encane tanto. Todo mundo é gordo um dia (alívio cômico http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/6050-famosas-com-celulites#foto-113298 ). Liberte a sua mente (mas não leia Comer, Rezar e Amar) e frequente lojas GGs, compre o quanto XL achar necessário nas lojas gringas. Não deixe sua silhueta ditar a sua autoestima. Ande de mãos dadas com a perseverança, porque é ela que vai te livrar do cabresto que te impõem que a beleza pesa até 70kg e usa no máximo tamanho 40.

“Ah! Tá. Vai dizer que você não prefere a Scarlett Johansson à Melissa McCarthy? Não prefere a noiva de Julia Roberts à noiva da Fiona?”, você deve estar pensando. Mas esse conceito de beleza é o que foi te imposto. Não estou dizendo que é fácil se achar bonita com essas medidas, mas é por isso que eu repito: “ande de mãos dadas com a perseverança”. E eu, só eu, e pessoas que passam pelo que nós passamos, sabemos o quanto é difícil se olhar no espelho sem desviar o olhar. (Um dia eu ainda conto a vocês como foi ser noiva aos 88kg).

You’re beuatiful

Você pode gastar anos em terapias, ou começar a acreditar que você tem todo o potencial do mundo de ser uma DIVA. E não aceite menos do que isso. Se você acredita que pode emagrecer e conseguir a silhueta que merece, dê as mãos para a perseverança e não desista. Mas se acha que já deu o tempo de ficar encrencando com o seu biotipo, dê as mãos para a perseverança e se assuma linda e GG. (Exceto os casos que a silhueta GG prejudiquem a sua saúde. E que fique claro que não são todos os GGs que são sinônimos de obesidade, diabetes, problemas cardiovisculares e hipertensão).

Eu, mais do que ninguém, sei o quanto é difícil se aceitar linda, chique, charmosa e elegante no GG. Fiquei meses sem me olhar no espelho. É por isso que eu, mais do que qualquer outra pessoa, posso te dizer que você é uma DIVA. Caminhe com a perseverança e cerque-se de autoestima elevada. E não desvie, em nenhum momento, o olhar de você mesma.

E para incentivar, uma das GGs mais lindas do mundo: Beth Ditto, do Gossip.

Clique de sorte

A natureza e a juventude

CURIOSIDADE SOBRE A FOTO - Sábado (17) eu fui para mais um aulão de dança com a minha irmã. E entre uma coreografia e outra nós fomos fazer um lanchinho ali na 308 sul. Compramos uns salgadinhos e coca cola e comemos na pracinha que tem essa árvore que vocês vêem na foto. Esse menino pulou de tronco em galho por ao menos 10 minutos até se acomodar  no fundo, tudo isso para poder acessar o Facebook com conforto. Na minha época a brincávamos na árvore porque ela era símbolo de aventura. Brincávamos de baratinha no alto, Tarzan, casinha, escrevíamos nosso nome, etc. Para o menino da foto a árvore é símbolo de conforto para mexer no celular, foi por isso que esse clique se tornou tão interessante para mim. Ele permaneceu lá por uns cinco minutos e foi embora. Não escreveu o nome no galho, não se pendurou de ponta cabeça nem quis subir mais alto, apenas mexeu na internet e se atualizou sobre a sua rede de contatos online.

Minhas confissões de gorda (Parte 1)

Quer você queira, quer não, as pessoas sempre fazem referência às outras ou com a descrição do cargo profissional ou com posição social ou por sua aparência física.

- Lembra da Joana?, diz fulano com tom indagador.

- Joana? Joaaaana…. . Continua cicrano com a mão no queixo e olhando para o céu.

- Aquela que trabalhou com a gente na Quitanda do Seu Zé. Insiste fulano

- Era aquela que trabalhava no caixa? Enfatiza cicrano.

- Nãããão! Era aquela gordinha de cabelo rosa que trabalhava no setor de guloseimas.

(Os dois riem sem parar)

Pois é. Não cabe a você mudar o curso das conversas, não é mesmo? Acredito que desde que o mundo é mundo, a referência pela aparência costuma ser fundamental nos diálogos sociais, sejam provocativos ou só informativos. Mas, me diga uma coisa, quem é que gosta de ser lembrada como “a gordinha” ou “o gordinho”? (Quem respondeu sim, por favor, me conte suas razões na sessão de comentários deste post).

Há três anos passei de uma menina que usava 42 e pesava 68kg, para uma gorda que usa 46 na Hering, XL na Zara, 48 na Renner e Marisa, GGG na Camiseteria, XL na Threadless e sem numeração da C&A. Ah, é claro, pesando singelos 88kg!

A trajetória da gorda

Estou sendo completamente honesta com vocês ao dizer que as minhas famílias, tanto de pai quanto de mãe, já possuem históricos de obesidade grau três. Ou seja, eu sempre estive em perigo. Minha mãe, como uma excelente mãe que é, me colocou na natação logo com cinco anos de idade. Calma, eu não era gorda nessa idade, mas já tinha passado por uma cirurgia de bronquite, e para que as crises não voltassem, eu tinha que fazer natação e tomar banho de água fria seja qual fosse a estação.

Com 12 anos eu competia no estilo craw, peito, e às, vezes no revezamento em eventos municipais. Aos 15, além da natação, fazia atletismo, tênis, academia e competia em estadual. Nessa mesma idade larguei tudo e fiquei só com a academia. Aos 16 mudei-me para Brasília e então, parei de fazer tudo. Afinal, na minha cidade eu pagava 40 reais pra fazer todas as modalidades, em Brasília com esse preço eu não ia nem na esquina de casa não é?!

É claro que um organismo tão acostumado com esportes desde cedo sentiria os efeitos da eliminação total de qualquer exercício, então comecei a engordar. Nada demais, no máximo uns quatro quilos facilmente perdidos quando eu corria na L2. Mas depois de alguns anos os pneuzinhos começaram a aumentar aí foi a hora de procurar um nutricionista e começar a ralação.

Os tipos de nutricionista
Se tem uma profissão que é a personificação da palavra “tédio” é a de nutricionista. Tem mais coisa entediante do que escutar o que você já leu em trocentas revistas Boa Forma e cansou de assistir no Globo Repórter? Mas quando se é gordo você tem que achar que as palavras ditas pelo seu nutricionistas são as hipérboles bem humoradas do Jerry Seinfeld.

Eu já passei por todos os tipos de nutricionistas. O pior deles com certeza é o chato e inconveniente que só sabe falar no quanto você precisa perder, como você não está cumprindo a dieta como deveria e principalmente que você tem que evitar comer em restaurantes no final de semana. Esse é o nutricionista ditador. É com esse tipo que você vai do entusiasmo à depressão profunda em segundos de consulta. PRO-FUN-DA.

Pera aí? Eu não posso sair pra curtir com os amigos? Eu tenho que ir ao cinema, mas não posso pedir pipoca? Bebida nem pensar? Só posso ir a restaurantes vegetarianos e vegan? What a hell? Como alguém sobrevive assim?

Esse tipo de nutricionista não sabe enxergar que o gordo normalmente tem prazer em comer e também não sabe enxergar que você não é nenhum Testemunha de Jeová que só sai pra igreja. Com esse nutricionista foi que eu tive a minha primeira crise de querer desistir de emagrecer e mandei o mundo pra aquele lugar. Pensei:

“Olhe, escute, a cerveja na sexta à noite é minha sessão de terapia. A comida mexicana no sábado com os amigos é a minha fonte de revigorante de energias. A lasanha de domingo com a família é o meu ponto de equilíbrio. Sem essas coisas como é que eu vou sobreviver a esse longo caminho para emagrecer?”

Então voltei a estaca zero até conhecer um outro tipo de nutricionista: o motivador. Esse é o tipo que não importa se você está gorda no formato pêra ou no formato globo terrestre, ele te olha sem te julgar. Eles possuem um diálogo aberto e otimista e, o melhor de tudo, estão sempre torcendo por você. Eles sabem que é difícil perder 22kg, mas isso não importa para eles desde que você tenha perseverança. É difícil encontrar um profissional nessa qualidade, mas ele existe.

A verdade verdadeira

Mas a verdade é que não importa o tipo de nutricionista que você ache, a única pessoa que poderá garantir o sucesso da sua dieta é você. Parece que estou falando sobre o óbvio, mas quem é gordo sabe o quanto é difícil assumirmos essa responsabilidade. Preferimos culpar nosso estresse, nossa desilusão amorosa, nossa ansiedade, nossa gula, tudo menos nós mesmos.

Tem horas que somos os principais sabotadores do nosso final feliz. E como é difícil e ruim enxergar essa verdade. Mas quem é gordo precisa primeiro admitir isso e encarar as consequências para conseguir realizar as etapas de emagrecimento com mais maturidade. Quem lê pensa que é a coisa mais fácil do mundo, mas a verdade é que exige uma autoestima muito alta e uma técnica de pensamento positivo jedi nível mestre Yoda. Mas nem tudo está perdido…

No próximo capítulo as consequências de ser gorda, incluindo a sessão crise de choro no vestiário da loja.

Taxicab Confessions

Vivendo nesse mundinho de Brasília, com tão pouca diversidade de personalidades, estilos e conversas me peguei pensando: “Que porra é essa? Qual a diferença que eu tô fazendo nesse mundo?”.

Não, isso não é uma crise existencial. Mas com 23 anos e um casamento nas costas você começa a se perguntar esse tipo de coisa. Você vira ao seu lado e vê aquele tanto de gente conversando sobre marcas, divórcios, traição, bebida, maconha, sexo, sexo, sexo, ego, conquistas, desastres e de repente, nada, absolutamente nada faz sentido.

DJ, pára a música! Qual é a balada da minha vida mesmo?
Esqueci. Porque afinal eu só deixei a vida seguir o curso: ralar até a morte para conseguir pagar a faculdade com dois estágios e sem férias, receber o diploma e começar a trabalhar em dois empregos para poder pagar o casamento, casar e trocar de emprego para poder acrescentar alguma coisa no currículo. Mas e aí? Qual foi a boa disso tudo?

Nossa! Várias coisas, de verdade. Amor, amigos, experiência, situações, conhecimento, mas nenhuma arriscada! Nenhuma manobra radical, nenhum cofrinho no sofá da boate. De tabela, um aumento de 20kg concentrado na barriga e no quadril, estilo “gordinha sexy” e não “Diva Adele”.

Turn on the radio
Tá certo. Precisamos voltar a escutar o ritmo dos 13 anos, época em que você começa a se indignar com as coisas (pais principalmente), decide a sua visão política anarquista e veste o capuz do Robin Hood pra começar a salvar o universo do capitalismo e da péssima qualidade musical. Não dá mais pra acordar, amar, trabalhar, ler, curtir umas brejas, comemorar com os amigos e ponto final. Tem que ter um guacuamole, um mojito, um “Machete”.

Quando você menos espera amigo, a rotina te pega. E olha, essa maldita gruda que nem criança mimada. É aí que começa a frescurada de achar as plantinhas no parque a coisa mais bonita do universo, o pôr-do-sol no lago o momento mais inesquecível da sua vida e uma viagem ao Rio de Janeiro a aventura mais “rock n’ roll” que você já teve.

Dj! Put the beat in.
“BBBAAASSSTAAAA”, eu gritei. Pega a caneta bic e começa a arrumar a fita K7. Fui fazer Street Jazz e amar o que eu nunca achei na vida que iria amar. Beyoncé, Glee, Katy Perry, Lady Gaga, Amanda Blank, Ke$ha. E agora todas elas estão na minha lista do iPod. Sim, eu rebolo até o chão, faço a gata, vendo o produto, faço carão, tremo o bumbum e falo “Do you like that?”.

E quer saber? Whatever para os amigos que pensavam que eu nunca fosse fazer isso. Eu fiz. E assumo que isso me libertou das barreiras que prendiam os meus sonhos. Sabe, aquelas barreiras? Aquelas que te dizem: “Honey, você tá em Brasília e o máximo que você vai conseguir é isso. E nenhuma casa no Lago!”.

A maior dificuldade de viver os sonhos no presente é ter que viver com a rotina e com o abuso daquelas pessoas que você convive que, quando vão à manicure só fazem francesinha e não colocam nenhum “glitter” pra variar. Não, amigo! Você não precisa passar no concurso para brilhar no mundo. É tudo questão de você começar a brilhar para você mesmo.

My Taxicab Confession
Em uma noite, rodando pelos canais HBO, parei numa programação identificada pela Embratel como “Canal Adulto”. Após colocar a minha senha marota, vi que o nome do programa era: Taxicab Confessions. Uma séria cuja sinopse você DEVE ler abaixo:

Um táxi foi equipado com seis câmeras escondidas. Os passageiros são reais e falam sobre sua vida pessoal, às vezes sexual, para o motorista. Os passageiros não sabiam que estavam sendo filmados até depois da viagem havia terminado.

Escrito por James P. McDonald. USA (1995). Produzido por HBO. (Via IMDB)

Vendo aquele tanto de história. Aquele tanto de gente diferente, do mendigo ao francês que vai pra Nova York só pra transar com as “americanas”, não tem como você não querer ser um simples taxista de NY. Poxa vida! Olha o tanto de gente diferente que ele conhece. O tanto de pessoa louca, sinistra, divertida e inteligente sentada no mesmo banco. Algumas caras feias, mas muita, muita história pra contar.

Fiquei impressionada com a história de uma mulher que tinha um filho, se eu não me engano de 12 anos, que era paraplégico e que ela tinha que fazer tudo pra ele. Essas coisas que só mães conseguem fazer: limpar o número dois, levar para fazer número um, limpar a baba da boca. Ela foi casada e se separou, mas na época do vídeo ela tinha arrumado um homem e morava com ele. Esse homem dava para ela o que nós conhecemos como “vale night”. Uma noite para sair, se divertir, beber, aprontar, enfim tudo o que ela tinha direito. E dava pra ver no sorriso dela como era a melhor noite da vida dela.

No meio da história ela olha para a janela do taxi e fala “Eu amo o meu filho. Ele é um anjo na minha vida. Por isso eu me divirto muito nessas noites. Porque eu sei que ele também quer que eu seja feliz e esteja feliz para cuidar dele”. Heartbreaking né?!

Por isso eu faço o Street jazz. Por isso agora eu escuto Beyoncé. Por isso eu saio do trabalho e vou pro inglês. E por isso que eu acho que essa seria a minha confissão para um taxista. Porque afinal, eu preciso ser feliz para poder cuidar das coisas que são mais importantes para mim. E, como essa mulher, fazer toda a diferença no mundo de uma pessoa ou mais. Para ser a estrela principal ao menos na minha própria história.

Aproveitem o dia, garotos! Afinal, vocês estão vivos.

Aqui um dos vídeos da série Taxicab Confessions. Infelizmente eu não achei essa da mulher. Procurei feito doida, mas não achei. Então, vai um dos mais engraçados da série: A menina que dá em cima da taxista. Enjoy!